Títulos duplos mostram potencial da parceria entre futebol e vôlei

Conquistas no futebol e vôlei mostram a força que o principal esporte do país leva para as quadras

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

LEO FONTES VOLTA OLIMPICA DO SA CRUZEIRO
LEO FONTES VOLTA OLIMPICA DO SA CRUZEIRO

Qualquer conquista em dobro tem um sabor diferente e especial. Este foi o caso do Cruzeiro nesta temporada. O último domingo reservou ao clube um duplo título em diferentes modalidades. Pela manhã, o Sada Cruzeiro, equipe de vôlei, atual campeã mundial, conquistou, pela segunda vez na sua história, a Superliga masculina, principal torneio do país na modalidade. Horas mais tarde, foi a vez do time de futebol ser campeão mineiro, após empate com o arquirrival Atlético, no Mineirão.

Mesmo após um jogo que exigiu muito, os jogadores do Sada fizeram questão de comparecer ao Gigante da Pampulha para verem o outro título de perto. Antes da bola rolar, eles deram uma volta olímpica, ainda maior, diante de um público muito superior aos 14.000 que foram ao Mineirinho. Os gritos de 'campeão' foram entoados com ainda mais força pelos 48 mil presentes.

Tal façanha já foi repetida em outras ocasiões há um tempo não muito distante. Uma das mais recentes aconteceu com o mesmo Cruzeiro, no ano passado, mostrando a sintonia entre os campos e as quadras.

Antes de confirmar o terceiro título do campeonato brasileiro de futebol, em dezembro, o time celeste viu a multicampeã equipe das quadras levar o Campeonato Mundial de clubes, título inédito para o Brasil, em outubro.

O feito de títulos seguidos em pouco tempo pode ser repetido caso os craques das quadras consigam o bi do Mundial, marcado para o próximo mês no Mineirinho.

Meses depois, em agosto, o time azul pode conseguir o tricampeonato da Libertadores.

Outros exemplos Em 2001, o time feminino de vôlei do Flamengo foi campeão da Superliga ao bater, na final, o Vasco da Gama. Na época, as duas equipes contavam com as maiores estrelas do vôlei brasileiro, como Leila, que fazia sua última partida nas quadras, além de Virna e Arlene, pelo lado rubro-negro. Pelo lado vascaíno, nomes como Fernanda Venturini e Ida mostravam a força dos dois lados.

"Tínhamos um time forte, com outras jogadoras de qualidade, como a Valeskinha, a Soninha e a Tara Cros. Foi uma temporada especial porque sofremos muito para o Vasco na fase de classificação e estávamos com salários atrasados. Sofremos muitas críticas e nos superamos na final. Lembro que, enquanto o time do Vasco estava de folga, nos fizemos treinos em todos os dias da semana. O grupo foi muito importante na decisão, algumas jogadoras saíram do banco para fazer a diferença", relata a líbero Arlene, que na época atuava como central.

Semanas antes, o time da Gávea conquistou um dos campeonatos cariocas de futebol mais emocionantes da história. Depois de vencer as duas edições anteriores, o Flamengo encarou o Vasco na decisão dentro do Maracanã. Depois de perder o primeiro jogo por 2 a 1, o Flamengo precisava vencer o segundo jogo por dois gols de diferença para ser campeão. Nos últimos segundos, quando o placar marcava 2 a 1 para o Flamengo, o meia sérvio Petkovic cobrou falta precisa no ângulo do goleiro Hélton, confirmando um título inesquecível para torcedores de vários times.

O gol garantiu o título aos rubro-negros em uma das conquistas mais marcantes da história do clube.

A comemoração do time de vôlei foi grande e também teve provocação. "Desfilamos no carro do Corpo de Bombeiros, algo que não era muito comum na época. Passamos perto da sede do Vasco e nosso técnico (Luizomar de Moura) fez questão de gritar 'vice de novo!'. A comemoração do time de futebol, que era algo bem maior, foi até mais simples, neste ano. Fomos convidadas pelo Edilson, atacante, para irmos na festa do time deles na Barra. Foi muito bom", lembra a jogadora.

Em 2011, o Santos foi, na mesma temporada, campeão paulista de futebol e campeão da Liga de Futsal (novembro), mostrando mais um exemplo de uma dupla conquista que deu uma alegria ainda maior aos torcedores.

Tais exemplos deixam claro o potencial vitorioso que existe quando quando times de futebol resolvem investir em modalidades olímpicas. "O Cruzeiro deu provas de como essa parceria pode dar certo. É uma pena que os times de futebol não façam isso com mais frequência. Outros esportes como natação e atletismo carecem de apoio e isso poderia vir do futebol. O que precisaria ser corrigido são algumas falhas administrativas que são comuns neste esporte. Se já existe uma falta de atenção com o futebol, que recebe grandes investimentos, o que poderia acontecer com outros esportes de menor expressão?", alerta Arlene, que viu o Flamengo extinguir o time de vôlei logo na temporada seguinte ao título.