Homem mata irmão por causa de lata de leite em pó no valor de R$ 10,90

Vítima comprou o alimento para os sobrinhos, que são filhos do autor do homicídio e estariam passando fome

iG Minas Gerais | CAROLINA CAETANO |

O preço de uma lata de leite em pó, que custa em média R$ 10,90, foi o responsável por um crime que chocou a pequena cidade de Santa Juliana, no Alto Paranaíba, no fim da noite desse domingo. Um homem de 50 anos foi assassinado a facadas após comprar o alimento para os sobrinhos que estavam passando fome. O pai das crianças, irmão da vítima, se revoltou ao descobrir o valor da lata e cometeu o homicídio.

De acordo com o registro do boletim de ocorrência da Polícia Militar, Raimundo Rodrigues da Silva  comprou o produto em uma mercearia próxima de casa e, ao chegar no imóvel, localizado na rua José Goulart, no centro do município, entregou o leite para que Francisco da Silva, de 31, pudesse alimentar os filhos. A vítima explicou ao suspeito que era um presente e, por isso, não queria receber a quantia de volta.

Ao saber o valor do produto, o suspeito disse à vítima que estava caro, não precisava do leite para os filhos e exigiu que ele voltasse ao estabelecimento comercial para devolver a lata. Raimundo se recusou a cumprir o que o irmão havia ordenado e, nesse momento, os irmãos começaram uma discussão na calçada.

Muito nervoso, Francisco foi até a cozinha, pegou uma faca e atingiu o irmão com um golpe no tórax. A vítima morreu na hora. Após o crime, o suspeito fugiu e se escondeu em cima de um pé de manga do lote vizinho.

Com a chegada dos militares, Francisco resistiu à prisão e ainda tentou agredir os policias com a arma utilizada no homicídio. Após algum tempo de conversar, o homem se entregou e foi levado, na madrugada desta segunda-feira, para a Delegacia de Plantão de Araxá, na mesma região.

Vítima era querida na cidade

A notícia da morte de Raimundo deixou os moradores de Santa Juliana assustados. O homem era muito conhecido na cidade, que tem aproximadamente 15 mil habitantes. Segundo o cabo Euclides Alves Neto, que trabalha na cidade há 11 anos, a vítima era comerciante e tinha um bar na cidade.

“Além do bar, o Raimundo vendia churrasquinhos nos eventos da cidade. Sempre ajudou todo mundo. Inclusive, tinha cedido o lote para o irmão morara com a família, uma vez que ele e a companheira estavam desempregados”, contou o militar.

Ainda de acordo com o policial, nenhum dos envolvidos no caso tinha antecedentes criminais. O corpo de Raimundo deve ser sepultado nesta segunda. 

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