Corpo emite sinais antes que um ataque do coração aconteça

Sintomas incluem dor nas costas ou na ‘boca’ do estômago, mal-estar e suor frio

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Engano. Maria Francisca achou que as taquicardias que sentia fossem “problema da idade” e não procurou o médico
Lincon Zarbietti / O Tempo
Engano. Maria Francisca achou que as taquicardias que sentia fossem “problema da idade” e não procurou o médico

A cada cinco minutos, uma pessoa morre de ataque cardíaco no Brasil. Mas a maioria dessas mortes, inclusive das vítimas dos infartos ditos fulminantes, pode ser evitada com conhecimento dos sintomas e o rápido atendimento do paciente.  

“É muito raro a pessoa ter um infarto e não ter sentido nada. O mais comum é ela começar a sentir alguma coisa e não ligar”, relata o cardiologista Marcelo Cantarelli, médico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e coordenador da campanha Coração Alerta.

Esse foi exatamente o caso de Maria Francisca Resende, 69, aposentada. Ela começou a sentir o coração acelerar quando subia as escadas do prédio ou fazia qualquer caminhada, mas não se importou. “Achei que fosse normal da idade”, conta. Piorou dias depois. “Me deu uma tonteira, e o estômago começou a embrulhar”, lembra. A filha a levou ao hospital, onde foi descoberto um princípio de angina (estreitamento das artérias do coração).

O sintoma clássico do infarto é uma dor de “aperto” no peito, mais para o lado esquerdo, que tende a subir para o pescoço e o braço esquerdo, como sentiu o professor universitário Maurício Lopes de Faria, 47. “Fui almoçar com um amigo no último dia 24, comecei a sentir essa dor e um suor frio. Não dei conta de almoçar e pedi para ele me levar para casa”, conta. Preocupado, o amigo acabou levando Faria ao hospital.

O infarto não foi diagnosticado e o professor foi para casa, ainda com dores. De volta ao hospital no dia seguinte, o problema foi identificado e ele passou por um procedimento para desentupir a artéria. “Normalmente, o infarto não dura tanto tempo. A pessoa sofre uma parada cardíaca e pode até morrer. O que me salvou foi uma malformação genética, que permitiu a irrigação da parte afetada por outra artéria. Agora ainda sinto um pouco de fraqueza, mas estou ótimo”, comemora.

Faria é uma exceção à regra, pois o mais importante é que a pessoa infartada seja atendida rapidamente. “A literatura médica indica que os tratamentos são mais eficientes se aplicados nas primeiras três horas desde o início da dor. Depois desse tempo, a mortalidade é de 30% e só vai aumentando”, alerta o médico.

Sintomas - Clássicos. Dor de “aperto” no peito, que aparece de repente, ou depois de atividade física ou situação de estresse. Tende a subir para o pescoço e o braço esquerdo. Mal-estar e suor frio podem acompanhar. - Outros sintomas. Dor mais fraca na região da boca do estômago, das costas ou do pescoço subindo para mandíbula e dentes. A pessoa também pode sentir náusea ou ter um desmaio, ou sentir sensação de dormência nas mãos.

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