Vale tem projetos frustrados na Guiné e na Argentina

Dois reveses em um ano podem afetar planos da companhia

iG Minas Gerais |

Suspenso. Projeto de potássio Rio Colorado, em Mendoza, na Argentina, onde a Vale quer vender a mina
Vale/Divulgação
Suspenso. Projeto de potássio Rio Colorado, em Mendoza, na Argentina, onde a Vale quer vender a mina

Rio de Janeiro. Em pouco mais de um ano, a Vale sofreu dois reveses em importantes projetos internacionais. Na última semana, o comitê técnico do governo da Guiné (África) recomendou o cancelamento do direito concedido à Vale de explorar depósitos gigantes de minério de ferro do projeto Simandou, devido a um suposta prática de corrupção ocorrida antes de a empresa brasileira obter a concessão de exploração de dois blocos. A Vale é sócia da BSGR, que pertence ao israelense Beny Steinmetz, no projeto. O governo da Guiné acusa Steinmetz de corrupção.

Há uma possibilidade remota de que o governo da Guiné ofereça a concessão para a Vale levar o projeto adiante sozinha. Mesmo que a Vale consiga a concessão da Guiné, permanecer no país pode não ser interessante, pois alterações recentes no Código de Mineração local dão ao governo uma participação mínima de 15% em todos os projetos, sem qualquer ônus, podendo adquirir outros 20%.

Procurada, a Vale disse que “aguardará a decisão do presidente Alpha Condé em relação à recomendação do relatório” do comitê técnico.

Outra investida frustrada da mineradora foi o projeto de potássio Rio Colorado, em Mendoza, na Argentina. Em março de 2013, a Vale anunciou que suspenderia o projeto após seu orçamento inicial de US$ 6 bilhões ter praticamente duplicado, para US$ 11 bilhões. A suspensão ocorreu em meio a críticas do governo argentino contra a demissão de 6.000 trabalhadores. A Vale procura um comprador para a mina.

Na área de fertilizantes, Rio Colorado era o maior projeto na carteira da Vale. Sem ele, restam à empresa três projetos de peso: Carnalita, em Sergipe; Kronau, no Canadá; e Bayóvar, no Peru. Esse último produz fosfato, enquanto os outros são de potássio. Há projetos de fosfato em Minas Gerais e Moçambique, ainda em fase exploratória. Carnalita tem relevância estratégica, por ser a única chance de a empresa manter sua produção de potássio no Brasil.

Capacidade

Minério. Zogota, na Guiné, tem capacidade estimada de produção de 15 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. É bem menos que os 300 milhões anuais de Carajás, da Vale, no Pará.

Projeto Simandou

Na Guiné

- A Vale entrou no projeto Simandou em abril de 2010

- Pagou US$ 2,5 bilhões para adquirir 51% dos negócios da BSGR na Guiné, que detinha concessão em Simandou Sul (Zogota) e licenças de exploração em Simandou Norte (blocos 1 e 2).

- As duas empresas formaram a joint venture chamada de VBG.

- Daquele montante, a Vale desembolsou US$ 500 milhões. O restante seria condicionado a metas que acabaram não sendo cumpridas.

- Agora, a Vale corre o risco de ficar sem a mina.

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