Cozida em fogo brando

iG Minas Gerais |

A presidente Dilma Rousseff viveu nestes últimos meses os piores momentos que seu papel como gestora e líder política poderia encenar. Erguida ao comando da nação pela sua proximidade, como ministra, com o ex-presidente Lula, Dilma, com sua postura, conseguiu desconstruir a esperança artificialmente fabricada pelo marketing oficial de que ela no poder representaria a gerentona, a xerife, a “mãe do Pac” e não apenas um poste, como a crítica política jocosamente nomeia aqueles que, não sendo do ramo, saem vitoriosos das eleições. Lula fez de Dilma titular de um currículo forte e vigoroso, essencial para sucedê-lo. Infelizmente, isso não correspondeu. Dilma é uma atabalhoada, uma autoritária sem credenciais para assim desempenhar-se. O papel de presidente, está demonstrado, exige muito mais talento e domínio de palco, que ela não tem e, ao que se sabe, nunca terá. Essa realidade foi absorvida pelo seu grupo político e, não controlada, vem consolidando-se no consciente coletivo. Ainda não finalizada a peça, a plateia está de pé, pronta para se retirar. Quando fechadas as cortinas, Dilma não deverá voltar para os aplausos. Seu governo já acabou e a luz vermelha está acesa dentro do PT. Na semana passada, ficou forte em Brasília, no PT e no PMDB, a certeza de que esse governo não tem mais estoque para consumir e assim manter-se confortável na disputa das próximas eleições. O governo está esmaecido, aberto somente para dar informações: ações políticas capazes de reverter essa tendência de baixa, infelizmente, não estão no horizonte. Passou da hora, não porque a oposição tivesse apresentado alternativas melhores. A oposição no Brasil é difusa, inoperante, também sem projetos e propostas para apresentar à nação. Dilma se incumbiu de se autodesfazer. Dilma é a adversária mais forte de si mesma. Falando, propondo, respondendo, criando estratégias, então, é um completo desastre. Falta-lhe assinar esse balanço, que o PT já aprontou para o ato final, e assim dar-lhe baixa. Sua inabilidade política, realçada pelos constantes embates com o PMDB, maior partido de sua base aliada, e sua incapacidade como gestora, realidade que o cipoal de escândalos sucessivamente denunciados como produzidos dentro de seu governo vem revelando, fizeram esquentar a convocação do ex-presidente Lula para a disputa. Lula teria na sua companhia Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar, reeditando pelo menos em parte a fórmula que fez o PT chegar ao poder em três mandatos seguidos. Disseram as mesmas fontes de Brasília que líderes do PMDB reagiram ao nome de Josué, com argumentos fundados no pouco expressivo currículo político do escolhido. Josué é forte empresário, nome de reconhecida liderança no segmento industrial entre os paulistas da Fiesp, mas politicamente é apenas filho do finado José Alencar. No Brasil, infelizmente, essas composições são questão de quantum. Dilma, podemos escrever, não disputará essas eleições. E ela já sabe disso. Falta apenas uma bandeja de prata para apresentar sua desistência à disputa uma saída honrosa. E Lula, atendendo a apelos, voltará ao páreo.

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