Sem saber onde nem porquê

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Há anos, neste espaço, escrevo que predomina no futebol brasileiro – antes, não era assim –, por influência dos treinadores e por outros motivos, a formação de atletas velozes, muitos habilidosos, mas com pouca técnica, criatividade e lucidez. Eles se destacam nas categorias de base, por causa das condições físicas e, depois, se tornam comuns, razoáveis, medianos. Anos atrás, chamei de “País dos Neguebas”, para caracterizar o novo estilo, sem querer depreciar Negueba. Ter jogadores rápidos é importante, desde que tenham outras qualidades, atuem ao lado de outros mais técnicos e mais criativos e que a velocidade não se torne uma obsessão dos treinadores. Na derrota para o León, enquanto o time mexicano trocava passes e envolvia a defesa do Flamengo, a equipe brasileira corria, sem saber para onde nem porquê. Muitas das pessoas que criticam a falta de troca de passes do Flamengo são as mesmas que falam da decadência do estilo do Barcelona. A coerência nunca foi uma virtude humana. Os inúmeros problemas do Barcelona são outros, já ditos aqui um milhão de vezes. O Atlético de Madrid me lembra o Corinthians, em seus melhores momentos, pelo jogo coletivo, pela ótima marcação e por, em poucos lances, ganhar o jogo. O time espanhol não está entre os favoritos, mas não será zebra se for campeão da Europa. Surpresa será se mantiver a mesma eficiência por mais uma temporada. Sem grandes craques, não dá para ser herói por dois anos seguidos. É uma das razões da queda do Corinthians. Hoje, conheceremos vários campeões estaduais. Espero ver bons jogos, com muita troca de passes e sem violência, dentro e fora de campo. Exemplo de Rei. Cresce, a cada dia, o número de descontentes com a Copa no Brasil. Até a turma do oba-oba tem feito críticas. Se continuar assim, Luis Fernando Verissimo poderá criar uma nova versão da “velhinha de Taubaté”. Quem será o último a achar tudo maravilhoso? Há fortes candidatos. A única coisa pronta para a Copa é a seleção. Marín, esperto e amedrontado, disse, recentemente, que, se ganhar o Mundial, será o céu e, se perder, será o inferno. Quis transferir a responsabilidade para Felipão, o “super-herói”. Foi quase uma ordem, de que o Brasil tem de ganhar, de qualquer jeito. Pelé, que alterna elogios e críticas, de acordo com as circunstâncias, estava indignado, em uma entrevista, com o caos no aeroporto de Guarulhos. Como na chegada do exterior não há separação dos passageiros pela classe pela qual viajaram, quando passam pela imigração, imagino que Pelé, que nunca quis privilégios quando jogava, ficou espremido entre a multidão, por um longo tempo, com todos tirando fotos e pedindo autógrafos. O Rei precisa dar exemplo. Não pode furar a fila.

Clássico é clássico Está cada vez mais claro que o Mineirão é o campo do Cruzeiro, e o Independência, o do Atlético. Parece até que o Galo vai jogar fora de sua cidade. Por isso e por precisar do empate, o Cruzeiro tem um pouco mais de chance de ser campeão. Obviamente, não será nenhuma surpresa se o Atlético ganhar. Os passes precisos de Guilherme estão cada vez mais parecidos com os de Ronaldinho. A grande dúvida de Paulo Autuori é se escala os dois, pois fragiliza a marcação no meio-campo. Gosto mais do jogo coletivo do Cruzeiro, já definido, enquanto, no Atlético, ainda não está claro se atua com mais troca de passes, desde a defesa, como gosta Autuori, ou com lançamentos mais longos e altos, para Jô. Contra o Zamora, Leonardo Silva errou inúmeros passes, muitos perigosos. Antes, com Cuca, era só chutão. Já Otamendi tem um bom passe.

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