Clássico une sonhos de cruzeirenses e atleticanos

Como em todos os cantos do país, meninos de Mateus Leme correm atrás da bola e do futuro

iG Minas Gerais | Thiago Prata |

Mistura simples. No campinho de terra, garotada de Mateus Leme corre atrás da bola e dos sonhos
douglas magno
Mistura simples. No campinho de terra, garotada de Mateus Leme corre atrás da bola e dos sonhos

Faça chuva ou faça sol, lá estão eles, com os pés descalços, camisas sujas pela areia do campinho próximo de suas casas e tentando reproduzir os movimentos de seus ídolos. A alma se confunde com a garra que exibem a cada bola dividida, a cada passe, a cada chute a gol. O suor deixa claro a disposição e a alegria ao terem consigo a bola nos pés. Na mente, um desejo nutrido por milhões de meninos brasileiros, de se tornar um jogador de futebol. Ser atleticano ou cruzeirense é um mero detalhe diante deste sonho.  

Todo dia é a mesma coisa. Assim que as aulas terminam, vários garotos de Mateus Leme – cidade localizada a cerca de 60 km de Belo Horizonte – se reúnem num campinho de areia do município para fazer aquilo que melhor sabem: jogar futebol. Pelo menos, é o que cada um deles garante.

Quando pisam no local, os garotos se tornam atores. Os cruzeirenses Breno Lourenço, 10, e Gabriel Oliveira, 8, assumem os papeis do zagueiro Dedé e do atacante Dagoberto. Já os atleticanos Gustavo Nunes, 11, e Gabriel Camargos, 10, se transformam em Ronaldinho e Jô.

Mas ali, em meio ao sonho e à brincadeira, não existe espaço para brigas. A busca pela vitória não envolve carrinho violento, xingamentos ou troca de empurrões. Não importa o resultado das “peladas”. No fim, todos são amigos. Todos são vencedores.

“Não tem briga. A gente brinca e joga bola. Todo mundo é amigo”, destacou o alvinegro Gustavo Nunes, fã de Victor e R10.

No campinho de areia, também não existe rivalidade. Não se faz um time só com atleticanos e um apenas com cruzeirenses. Cada equipe possui aficionados dos dois maiores rivais de Minas. Uma lição a quem perde seu tempo marcando brigas de torcidas nas redes sociais.

Aliás, esses jovens postulantes a futebolistas preferem passar o tempo de lazer descalços no campinho do que ficar horas de frente para um computador. “Jogo aqui no campinho de terra, do lado da minha casa. Venho aqui todos os dias, das 15h às 17h. Eu venho aqui para me divertir”, relatou o celeste Gabriel Oliveira, que se inspira em Dagoberto, mas também tece elogios ao goleiro Fábio.

A timidez dos garotos dá lugar à empolgação quando o assunto são as partidas no campinho e o sonho de se tornar jogador. “Eu jogo de zagueiro, porque os outros meninos dizem que sou bom de zagueiro. Queria ser atacante, porque é a posição que mais gosto”, disse o torcedor cruzeirense Breno Lourenço.

E se engana quem pensa que os meninos só pensam em futebol. Cada um deles deixa claro que é importante estudar e não se deixar levar apenas por sonhos. “Se não for jogador, quero ser mecânico quando crescer”, sintetizou o atleticano Gabriel Camargos. Com a bola nos pés e os livros debaixo no braço, o torcedor alvinegro já esbanja personalidade, apesar da pouca idade. “Aceitaria jogar no Cruzeiro. Quero ir aonde me derem uma chance”, destacou.

História

Saiba mais. Mateus Leme foi fundada em 17de dezembro de 1938. O território é composto pelo distrito de Serra Azul e Azurita. É o local de instalação do primeiro radar meteorológico de Minas Gerais

Peneiradas

Atlético. As peneiradas no Galo acontecem, ao menos, três vezes por ano. As peneiradas acontecem em Belo Horizonte, cidades do interior de Minas Gerais, e em outros Estados. O número de garotos que participam dos testes é em torno de 2.000 a 2.500 por ano. Apenas meninos com no mínimo 13 anos podem participar. Mais informações no telefone (31) 3629-2809.

Cruzeiro. Para abril e maio, estão previstos quatro testes nas categorias de base da Raposa, cada um com cerca de cem jovens. São 400 nomes inscritos no momento para novas observações. Outros testes devem acontecer após a Copa do Mundo. Outras informações no telefone (31) 3427-3800.

Camisas dos times são os troféus A paixão por Cruzeiro e Atlético mexe com o imaginário de jovens loucos por futebol. Muitos se tornam colecionadores fervorosos. Para alguns garotos de Mateus Leme, porém, camisas do clube do coração são o suficiente. São como troféus que eles carregam em cada canto da cidade. Breno Lourenço possui três camisas do Cruzeiro (uma com o número 10, e duas com o número 1), assim como o também celeste Gabriel Oliveira (números 7, 10 e 11). Já o atleticano Gustavo Nunes detém uma camisa com o número 10. E o alvinegro Gabriel Camargos tem quatro (duas com o número 9, uma 10 e uma 49).

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