Falta de informação nos rótulos coloca os alérgicos em perigo

Movimento criado na internet convoca população e autoridades a regulamentar o tema

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Alerta. A pedagoga Marcela Bracarense, 36, abdicou da profissão para que o filho Augusto, 3, pudesse comer com segurança
LEO FONTES / O TEMPO
Alerta. A pedagoga Marcela Bracarense, 36, abdicou da profissão para que o filho Augusto, 3, pudesse comer com segurança

Apesar de rotineiro, fazer compras em um supermercado ou ir a um restaurante muita vezes não é uma tarefa fácil para a advogada Maria Cecília Cury, 33, que tem um filho de 2 anos com alergia alimentar. As horas dedicadas à leitura dos rótulos dos produtos ou ligando para os serviços de atendimento ao consumidor (SACs) das indústrias já viraram um guia de sobrevivência compartilhado com amigas.  

Antes em grupos desconexos e anônimos, agora cerca de 600 famílias se uniram nas redes sociais para tentar deixar essas tarefas um pouco mais fáceis e seguras, tornando obrigatória a rotulagem de produtos industrializados que contenham alimentos alérgenos, como leite, ovo, crustáceos e amendoim. A campanha “Põe no Rótulo” já reúne mais de 29 mil curtidas no Facebook e tem adesão de famosos.

“O mais delicado de identificar são os traços – resquícios de alimentos que acabam ficando nos equipamentos, mesmo após a higienização – que as indústrias não são obrigadas a informar e muitas vezes nem sabem porque vêm do fornecedor da matéria-prima”, diz Maria Cecília, umas das organizadoras da campanha e que já encontrou fibra de ovo em uma marca de arroz.

Estudos do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostraram que 39,5% das reações alérgicas foram relacionadas a erros na leitura de rótulos. Por isso, a advogada acredita que o mais urgente seria a realização de uma audiência pública para que governo, indústria, médicos e consumidores debatessem a regulamentação da rotulagem dos traços. “Os portadores de restrição alimentar, além de poderem ter uma qualidade de vida melhor, teriam condições de obter a cura muito mais rápido”, afirma.

Realidade. No Brasil, cerca de 6% a 8% das crianças alérgicas têm como causa do problema os alimentos, vivendo reféns de rótulos com pouca ou nenhuma informação, segundo Cláudio Oliveira Ianni – presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia da Regional de Minas Gerais (Asbai-MG). “Esse número vem aumentando. Um dos motivos é a melhoria das condições socioeconômicas, que permite um acesso maior aos alimentos. Outra é o uso excessivo de produtos químicos e de medicamentos para diminuir a acidez gástrica”, diz.

Na agenda

Alerta. A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) colocou na pauta da Semana Mundial de Alergia 2014 (de 7 a 13 de abril) a anafilaxia – uma das alergias mais graves – e a rotulagem.

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