Não basta ser bom de serviço, tem que saber se comportar

No setor de panificação, 99% das demissões não estão ligadas a problemas técnicos

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Na padaria. Claudenice Aguilar diz que é difícil encontrar pessoas solícitas para o atendimento
Lincon Zarbietti / O Tempo
Na padaria. Claudenice Aguilar diz que é difícil encontrar pessoas solícitas para o atendimento

Ter um currículo recheado de títulos não garante vida longa no emprego. Estudo da especialista em gestão de carreira e imagem Waleska Farias mostra que 80% das demissões são causadas por problemas de relacionamento ou de comportamento, não por deficiência técnica dos profissionais. Fofoca, uso de palavrões, falta de educação e brincadeiras que ofendem os colegas, mesmo sem intenção, estão entre as causas das demissões. E o percentual poderia ser ainda maior, caso houvesse mão de obra capacitada para suprir a demanda das empresas.

“Como ainda falta mão de obra qualificada, as empresas ficam reféns desse tipo de profissional até encontrar outro para o lugar”, diz a presidente da Dasein Executive Search, Adriana Prates. Isso vale para todos os níveis de carreira, dos mais básicos aos executivos. No setor de panificação, por exemplo, 99% das demissões não estão ligadas a problemas técnicos. “O serviço, a pessoa aprende. Mas é difícil ensinar a trabalhar em equipe, a ter comprometimento com o trabalho”, resume a assistente de recursos humanos da entidade, Danielle Barbosa. Na padaria Forno D’Oro, a falta de interesse em aprender, a dificuldade em trabalhar em grupo e o não-cumprimento de horários estão entre os principais problemas para formar a equipe. “Eu gasto 60% da minha energia e do meu tempo com seleção de pessoal”, diz a sócia Aline Moreira Mignolo. Mesmo assim, a tarefa não é fácil. “Faltam pessoas agradáveis no atendimento, solícitas”, reclama a gerente da padaria, Claudenice Aguilar. Segundo ela, antigamente era mais fácil contratar porque havia “volume” de mão de obra. Acesso a educação. ]A ampliação do acesso à educação tornou as empresas menos tolerantes aos problemas de comportamento dos funcionários. “Com a facilidade de acesso ao conhecimento, os profissionais ampliaram suas competências técnicas. Mas desenvolver comportamento é mais difícil, não tem escola para isso”, afirma o especialista em carreiras da Faceb/Unipac Bom Despacho, Willer Mamed. “É mais fácil capacitar uma outra pessoa do que mudar o hábito de alguém que tem tendência a fazer fofoca, por exemplo”, concorda a consultora da Scriptus Consultoria Empresarial Rafaela Lôbo. Ela diz que algumas empresas elaboram guias éticos que detalham o comportamento que esperam dos funcionários. Nesse caso, é mais fácil cobrar. Outras promovem palestras comportamentais para atingir seus objetivos, que podem ser até em relação ao guarda-roupa. “Eu já tive clientes que pediram para falar na palestra para as funcionárias não irem ao trabalho de roupa curta. São questões delicadas, mas que têm que ser tratadas de maneira objetiva”, afirma. 

Quatro Hs Ideal. O profissional ideal, segundo o especialista em carreiras Willer Mamed, é o que alia conhecimento técnico aos “4 Hs”: humildade, humor, honestidade e humanidade. 

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