Militantes dedicam décadas de suas vidas aos partidos

Alguns fundadores e filiados escolheram como profissão e opção de vida cuidar de suas siglas

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Crescimento. Mauricio Silva Gonçalves chegou ao PTB aos 14 anos e lá permanece há 25 anos
Lincon Zarbietti / O Tempo
Crescimento. Mauricio Silva Gonçalves chegou ao PTB aos 14 anos e lá permanece há 25 anos

Quando o assunto é partido, a primeira imagem que surge é do político profissional: aquele que em toda eleição está à frente das câmeras e no contato direto com o eleitorado. Por trás dele, porém, existem pessoas que participaram da criação das legendas e, apesar de continuarem militando há anos na sigla, escolheram o lado anônimo do trabalho.

Essas pessoas têm um perfil semelhante: adoram política, cuidam do partido e ainda se dividem entre os rachas internos, sem que tenham afetados seus espaços dentro da legenda. Em Minas, elas podem ser encontradas nas legendas consideradas mais tradicionais, como PT, PMDB e PSDB.

É o caso de Maria da Piedade Gomes, 53. Conhecida no meio político como a “sabe tudo do PT”, ela está desde a década de 80 no partido, tendo participado ao lado de outros militantes da criação da legenda no Estado e acompanhado de perto todos os processos eleitorais. Apesar de estar por dentro da vida política petista há mais de 30 anos, ela nunca se candidatou a nenhum cargo eletivo.

“Comecei a trabalhar na sede do partido em 1986. Era um trabalho provisório na secretária de organização, mas acabou durando até hoje”, conta. Além das disputas eleitorais, ela também acompanhou de perto as polêmicas eleições internas para a presidência da sigla. E diz que nunca se envolveu em nenhuma delas.

“Nunca tive cargo de direção, nunca quis ocupar esse espaço. Não combina com o meu perfil. Também não combina essa coisa de candidatura. Apesar de eu ser petista, aprendi a separar a questão da militância da profissional. Sou uma funcionária petista”, define a secretária. Segundo ela, seu papel hoje no PT é ajudar nas novas filiações partidárias.

O PMDB mineiro também tem seu funcionário ilustre. O ex-secretário geral da legenda, Itamar de Oliveira, além de circular entre os diversos grupos políticos peemedebistas, é consultado por muitos colegas antes de as decisões serem tomadas. “Participei da criação do extinto MDB, em 1966. E, desde então, tenho uma trajetória interna. De militante juvenil, me tornei um militante senil”, brinca.

Apesar de ter assumido o cargo de vereador em Bom Despacho na década de 80, desde então ele passou a se classificar como um “anticandidato”. “Não me candidato para ganhar. Tenho histórias no partido das quais me orgulho. Entre elas a de ter levado o ex-vice-presidente da República José Alencar para o partido”, lembra.

De office-boy a coordenador no PTB estadual Mauricio Silva Gonçalves chegou ao PTB aos 14 anos e, de office-boy, chegou a coordenador administrativo do partido. Com mais de 25 anos dedicados à legenda, hoje ele assumiu o papel de interlocutor da sigla com os diretórios municipais no interior de Minas. “Não pensei que me interessaria por política e me tornaria um conhecedor da área. Ajudo na formação do partido no interior (hoje são 740 diretórios) e oriento sobre as candidaturas. Também me arrisco a encontrar candidatos com potencial”, explica. Ele, que nunca foi candidato, não sonha em ter um cargo eletivo, mas tem o desejo de ocupar uma secretaria municipal ou estadual. “O contato no meio político facilita isso”, diz.

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