“Daremos ênfase aos projetos que já estavam em curso”

Alberto Pinto Coelho - Governador de Minas Gerais

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O governador de Minas, recém-empossado, em entrevista para O TEMPO diz que pretende fazer uma gestão de continuidade e priorizar a mobilidade urbana. Na política, quer levar o PP para a base de Aécio e não cogita a possibilidade de se candidatar à reeleição.

Qual será a prioridade de sua gestão?

Na realidade, a nossa prioridade é dar sequência ao grande legado deixado pelo governador Antonio Anastasia, que condensa uma série de programas e ações já em curso nas várias áreas de atuação estatal. Com relação à questão da mobilidade urbana, daremos ênfase especial aos projetos que já se encontravam em curso, como é o caso do Rodoanel. Pretendemos publicar o edital até o mês de maio para termos, até o fim do nosso governo, a expectativa do contrato assinado para dar início às obras do Rodoanel Norte. São 66,7 km muito importantes para a questão do tráfego pesado, que hoje circula pelo Anel Rodoviário, transferindo-o para o novo Rodoanel. Ele se transformará em um novo eixo de desenvolvimento da região metropolitana.

E em relação ao transporte leve sobre trilhos?

A exemplo do Rodoanel, temos também os estudos já adiantados em relação à solução intermodal, o chamado transporte leve sobre trilhos, que pode ser tanto o monotrilho quanto o VLT. Pretendemos fazer a consulta pública depois de um entendimento com a Prefeitura de Belo Horizonte e demais prefeituras para termos a definição de um traçado. Com essa alternativa modal da atual rodoviária de Belo Horizonte, podemos ter um traçado a ser definido indo no sentido da Cidade Administrativa e terminando no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. É possível que o contrato esteja pronto até o fim deste ano?

No caso do Rodoanel, já vencemos outras etapas, a última, a audiência pública. Agora é a publicação do edital, portanto há uma perspectiva de sua conclusão ainda em nosso governo. No caso do transporte leve sobre trilhos, nós ainda vamos começar a consulta pública para, em seguida, termos o edital. Queremos crer que, minimamente, teremos, ao fim do nosso governo, o edital publicado e em curso. Dependendo do andar das etapas, podemos também ter a conclusão e a contratação da solução desse modal. O ex-governador Antonio Anastasia, ao deixar o governo, falou de uma preocupação com a questão da segurança pública. Existe alguma iniciativa que o senhor já esteja planejando?

É bom a gente fazer uma abordagem geral. A violência é uma questão que está preocupando a todos. Ela existe não só em Minas, mas no Brasil inteiro, e a sua solução é multicausal. Tem várias questões a serem avançadas. Minas Gerais se destaca porque tem reconhecidamente forças policiais que são referências. O governo de Minas, ao longo do tempo, vem investindo relativamente mais do que outros Estados. Também é importante frisar que nós não temos uma coordenação federal nessa questão. É algo que se ressente, porque o Brasil é um país de dimensões continentais, que tem a questão fronteiriça e a questão das drogas. Mas, retirando essas questões que precisam de uma solução, que eu diria de uma visão ampla e nacional, no que diz respeito às ações de governo, o governador Antonio Anastasia, antes de deixar o cargo, ampliou o chamado policiamento ostensivo para fazer face à incidência de crimes, elaborou um pacto no sentido de dar celeridade aos processos daqueles criminosos reincidentes contumazes. E, mais do que isso, nós pretendemos, dentro dos esforços e da disponibilidade existentes das forças policiais, cada vez mais ampliar o policiamento ostensivo e também fazer a chamada “policia inteligente”.

Veja a entrevista que fizemos em nosso estúdio Como o senhor vai tratar essa questão dos 57 mil servidores que deixam de ser estatutários?

A lei buscou solução para um problema existente e arrastado no Estado por décadas. E isso não é somente em Minas, outros Estados também recorreram ao mesmo expediente de buscar a efetividade por meio da lei. Mas o Supremo já definiu pela inconstitucionalidade da lei, nos cabe agora examinar, através do acórdão a ser publicado. A solução foi sábia, porque ela criou a chamada “modulação”. Ela definiu a inconstitucionalidade, mas, ao mesmo tempo, assegurou direitos. Aqueles que já se aposentaram têm os direitos garantidos, aqueles que até o dia da publicação, que foi 1º de abril, têm tempo para aposentadoria também têm o direito adquirido. Nós temos 12 meses a partir dessa publicação para promover o concurso público. Naturalmente, nós temos que dar curso a essa questão, possivelmente encaminhando um projeto de lei, criando as vagas e promovendo o concurso. O importante é que nós temos que examinar cada caso, e temos 12 meses. Nesse período, ninguém irá sofrer diminuição de salário e ninguém deixará o emprego.

O partido do senhor, o PP, agora assume o governo de Minas. Nessa condição, o senhor acredita que o PP pode deixar a base da presidente Dilma para apoiar o senador Aécio Neves?

Eu tenho dito, e o PP não foge dessa regra, que há uma realidade específica em cada unidade da Federação. Mas na maioria dos Estados, o PP tem uma tradição de alinhamento aos projetos do PSDB, como é o caso de Minas – eu, agora, como governador do Estado, exatamente em decorrência desse projeto que levamos juntos ao longo de 11 anos. Nós trabalharemos de maneira a buscar uma convergência nacional do partido em torno da candidatura do senador Aécio Neves à Presidência da República. Esse esforço é um dever nosso. Temos que caminhar para isso, porque temos a convicção de que a candidatura de Aécio Neves é o melhor para o Brasil. O PP pode indicar um nome para vice do senador Aécio Neves?

Essa definição caberá ao senador Aécio Neves, dentro da sua observação do contexto nacional, analisando os colégios eleitorais, a densidade. E analisando também, do ponto de vista da composição, o que será melhor para levar para frente o seu projeto. Mas nós temos para oferecer a senadora Ana Amélia, que hoje se coloca como candidata ao governo do Rio Grande do Sul, muito bem-posicionada nas pesquisas. Ela pode ser uma alternativa para compor a chapa, sendo uma mulher, uma gaúcha genuína, e em um Estado que tem um colégio eleitoral importante. Ela passa a se configurar como uma alternativa. Antes de assumir o governo, na condição de vice, o senhor sempre foi reconhecido como um grande articulador, estabeleceu um diálogo muito bom com a Assembleia e com os prefeitos. Quem assumirá esse posto agora?

Nós temos o secretário de governo, Danilo de Castro, que é o coordenador político do governo e que continuará conosco, ele exerce esse papel com maestria, representando o Estado nos seus interesses. Temos também o deputado Luiz Humberto Carneiro, que volta a ser o líder do governo e que tem a função exatamente de advogar e vocalizar os interesses do governo e a visão do governo, respeitando naturalmente a posição de cada parlamentar, mas buscando o alinhamento e o convencimento da nossa base aliada para aprovação dos projetos de interesse de Minas.

O senhor pode vir a ser candidato a governador em outubro? E como pretende participar da campanha?

Já temos indicado o ex-ministro Pimenta da Veiga para a disputa ao governo de Minas. Eu tenho uma tarefa honrosa e de grande responsabilidade, que é de governar o Estado até 31 de dezembro, e esse é o meu objetivo. Procurarei fazê-lo com extrema dedicação e buscando uma equipe que foi formada agora com uma unidade muito grande e com uma identidade muito grande. Mas isso não tira a possibilidade de, no momento da eleição, eu ter uma participação efetiva em nosso Estado como presidente do PP, partido que compõe a base e que, naturalmente, está alinhado com o projeto de levar Pimenta da Veiga para o governo de Minas.

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