Azul é a cor mais quente

Se depender do Fashion Rio, o verão 2015 já tem uma cor oficial. Essa e outras tendências você confere por aqui

iG Minas Gerais | Lorena K. Martins |

O tom de azul clarinho foi a tônica da Maria Filó, que também apostou no laranja em uma coleção mais adulta do que costuma fazer, cheia de peças mídi e tops curtos
AP Photo/Silvia Izquierdo
O tom de azul clarinho foi a tônica da Maria Filó, que também apostou no laranja em uma coleção mais adulta do que costuma fazer, cheia de peças mídi e tops curtos

Quem investe em alguma peça-chave da temporada, provavelmente está disposto a guardá-la por algum tempo no armário, até que a moda descanse por algumas estações e volte a fazer sucesso na passarela mais próxima. Foi justamente esse resgate de tendências que norteou os desfiles de verão 2015 do Fashion Rio, que aconteceu na Marina da Glória, zona portuária do Rio de Janeiro.

Mas isso não teve nada a ver com falta de criatividade dos 17 estilistas convidados para essa edição. Muito pelo contrário. Parece que todo mundo aproveitou a sacada do “vaivém” da moda e recriou fórmulas que são sucesso, como o comprimento mídi, – aquele que deixa a perna à mostra da metade da panturrilha para baixo –, apresentadas por nomes já conhecidos como Alessa, Maria Filó e Patrícia Viera. O mesmo pode ser dito sobre a dobradinha barriga de fora com top cropped – se você já está cansada, prepare-se: ainda vem muito por aí. O repeteco das padronagens étnicas, hit no último verão, também foi visto na Oh, Boy!, com desfile inspirado na Guatemala. Tudo azul

O azul foi a cor que pontuou praticamente todos os desfiles e não se limitou somente ao jeans. Peças surgiram em tonalidades bem clarinhas, do fundo do mar, como os looks usáveis da Maria Filó. A cor também veio poderosa no tom do vestido Prada da atriz Lupita Nyong’o, já que muitas grifes, como Filhas de Gaia, Triya e o mineiro Victor Dzenk apostaram no clima do mar e seus derivados para pontuar o verão. A Alessa foi uma das mais felizes ao adotar a cor, em seu desfile inspirado nos tetos das igrejas barrocas.

Medalha de ouro

Sem precisar trombar com as pessoas no corre-corre de um desfile para o outro e sem disputa acirrada pelos brindes, a Marina da Glória estava calma, em clima de despedida, motivada pela declaração de Paulo Borges, diretor do evento, quando anunciou uma possível mudança estratégica, a partir do segundo semestre, de concentrar os lançamentos de inverno em São Paulo, deixando no Rio apenas as temporadas de verão.

Por falar em clima carioca, a moda praia parece mesmo ser o potencial da cidade, brilhantemente desfilado nessa temporada por Osklen Praia, Salinas, Triya e a campeã Lenny Niemeyer. Esta é a referência em moda praia há duas décadas. Inclusive, muitas marcas que não necessariamente foram criadas para o mar trouxeram um ou outro look feitos para essa finalidade: o couro democrático da Patrícia Viera veio em opções de maiô e biquíni– não para colocar os pés na areia, e sim como algo para usar nas festas pós-praia.

Outras se arriscaram nas hot pants – para quem não gosta de mostrar o corpo na areia – ou combiná-las com camisa, uma espécie de saída de praia, como mostraram o belíssimo desfile de estreia da Osklen Praia e o da Salinas. O maiô ganhou mangas em sua maioria e passa a ser chamado definitivamente de “body”. Ah, sem esquecer os tradicionais kaftans inspirados no fundo do mar e na Pequena Sereia, personagem da Disney, do mineiro Victor Dzenk.

Spotlights

Se no São Paulo Fashion Week a sobriedade tomou conta, no Rio não foi diferente, mas como pede o clima carioca, tons vibrantes também não ficaram de fora. Surpreendentemente, preto, branco, nude (aqui chamado de areia) e outras cores bem clarinhas nortearam desfiles como Maria Filó, Alessa e Coca-Cola Jeans. Roteiros culturais apareceram em algumas inspirações. A mais aclamada, talvez, foi a Espaço Fashion.

*A repórter viajou a convite do evento

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave