Em fase nobre na carreira

Ator conta que ligou para autor e diretor da atual novela das seis para que eles reservassem um personagem

iG Minas Gerais |

Comédia. Antonio Fagundes afirma que estava em busca de um personagem com tom humorístico para fazer ana TV
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Comédia. Antonio Fagundes afirma que estava em busca de um personagem com tom humorístico para fazer ana TV

Antonio Fagundes já fez de tudo na TV. Por isso, até bem pouco tempo, passou a ficar cada vez mais desmotivado com os personagens óbvios que lhe eram oferecidos em novelas. “Alguns trabalhos resultam tão monótonos que exigem o dobro de força até para ir gravar. Mas tudo é cíclico. Uma hora eu sabia que coisas interessantes iriam aparecer”, conta o ator do alto de seus 65 anos, 45 destes dedicados à atuação. No auge da experiência, Fagundes consegue enxergar que, atualmente, passa novamente por um momento instigante na carreira. Essa nova etapa começou em 2012, com o Coronel Jesuíno do remake de “Gabriela”, foi amparada pela frieza do vilão César de “Amor à Vida” e chega ao seu ápice artístico com o humor “italianado” de Giácomo, que vive em “Meu Pedacinho de Chão”. “Tudo é muito surpreendente nessa novela. O bacana de passar por algo assim, é ter a certeza de que ainda tenho muito para fazer e aprender. O ator morre aos poucos quando passa a se repetir”, analisa. Fagundes é do tipo que trata a profissão de ator sem muitos floreios. A visão por vezes pragmática é responsável pela aura de profissionalismo que criou-se em torno dele. “Sou pontual, dedicado e decoro texto com muita facilidade. Não sei ser diferente”, garante. Antes mesmo de acabar “Amor à Vida”, você já estava envolvido com os trabalhos de “Meu Pedacinho de Chão”. Em algum momento, pensou em desistir do novo projeto para curtir férias? “Amor à Vida” durou muito mais que o previsto. Minha participação na novela não seria tão grande como acabou acontecendo. E, no meio desse processo, fiquei sabendo que Benedito iria voltar a assinar uma trama e que esse trabalho seria dirigido pelo Luiz Fernando. Liguei para os dois e falei: “Separem um personagem para mim. Faço qualquer coisa”. Na minha cabeça, até a novela começar, eu já estaria descansado. Mas o que aconteceu foi que eu tive uma folguinha de 15 dias e só. Você enfrentou alguma dificuldade com a proximidade entre as produções?  Eu perdi alguns ensaios, mas nada que tenha me deixado tão por fora do que estava acontecendo. De resto, foi tudo muito tranquilo. Não tenho aquelas coisas de sofrer entre um papel e outro, de me apegar. Acabou a novela, estou pronto para o próximo trabalho. Não tenho aquelas frescuras de “cantar para subir”. Não sou médium, sou ator (risos). E estou muito feliz com esse personagem. E pensar que a Globo quase cortou minha participação na trama. Como assim? Estava com um personagem central na novela das nove. É normal a emissora não querer que eu reapareça em outra produção por, no mínimo, uns seis meses. Mas eu já estava decidido que queria fazer. O Luiz Fernando me avisou que a cúpula da Globo não tinha aprovado a minha escalação. Fui até a direção de entretenimento para acertar a minha participação. As pessoas ficaram até surpresas: um ator pedindo para trabalhar sendo que ainda não tinha nem saído do ar. Mas a oportunidade era única. Por quê? Luiz e Benedito estão longe das novelas há 12 anos. E como sempre acabo nesse tipo de produção, não tive muita chance de voltar a trabalhar com eles. É uma experiência que ultrapassa o lado profissional, é afetiva. Com os dois, protagonizei “Renascer” e “O Rei do Gado”, participei de “Terra Nostra” e “Esperança”, trabalhos que me dão o maior orgulho. E, por isso, a possibilidade de trabalhar com eles me entusiasmou. Você sempre quis investir mais no humor. E o Giácomo é um elo de comédia dentro da novela. Você chegou a fazer alguma exigência nesse sentido? Não forcei nada. Mas eles são meus amigos e sabem dessa minha busca por humor. Não que eu esteja reclamando, faço o que me derem para fazer. Mas estou sempre passeando pelas figuras do galã e do vilão. Já fiz personagens maravilhosos nessas bases, mas faltava fazer mais comédia na TV. Há alguns meses, revi cenas de “Rainha da Sucata” no Viva e lembrei o quanto era divertido fazer o Caio, um gago disputado por duas mulheres malucas (risos).

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