PMDB anula diretório para sufocar contrários a aliança

Em reação, Leonardo Quintão pede saída do presidente da sigla, mas nega que queira ajudar tucanos

iG Minas Gerais | Larissa Arantes |

Nulo. Sem cargo no diretório da capital, Leonardo Quintão disse que acionou presidente nacional
PEDRO GONTIJO / O TEMPO
Nulo. Sem cargo no diretório da capital, Leonardo Quintão disse que acionou presidente nacional

O PMDB mineiro escancarou nessa sexta o verdadeiro cabo de guerra interno entre a ala do partido que defende a candidatura própria e a que apoia a composição de chapa com o PT na disputa pelo governo de Minas. Em resposta ao que chamou de “descredenciamento” do diretório municipal, do qual era presidente, o deputado federal Leonardo Quintão protocolou no partido um pedido de afastamento do atual presidente estadual, deputado federal e ex-ministro da Agricultura, Antônio Andrade.

A denúncia de Leonardo Quintão é que, sem consultar o partido, o presidente estadual da sigla determinou o descredenciamento do diretório da capital junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com o claro objetivo de impedir que os contrários à aliança com os petistas pudessem interferir no resultado da convenção do partido, ainda sem data marcada.

Com o descredenciamento, os peemedebistas da capital perdem o direito ao voto na convenção.

O TRE, responsável por oficializar o descredenciamento dos diretórios, confirmou nesta sexta que recebeu, nesta semana, o pedido de invalidação do diretório do PMDB na capital. Segundo o TRE, o órgão não julga nada, apenas acata a decisão das executiva das legendas.

“Tive a informação que irão fazer intervenção em todos os diretórios no Estado que se posicionarem pela candidatura própria”, enfatizou Quintão, que convocou uma entrevista coletiva assim que soube da informação. “Com o descredenciamento, os delegados não têm poder de voto”.

Além das duas alas que duelam na legenda, existe ainda o grupo alinhado ao PSDB. Questionado se, na verdade, seu objetivo é favorecer uma aproximação com os tucanos, Leonardo Quintão respondeu que defende a candidatura própria e o “apoio ao nome do senador Clésio Andrade”. Um peemedebista na corrida poderia dividir os votos do petista Fernando Pimentel e facilitar um segundo turno no Estado.

Antônio Andrade, no entanto, nega a acusação de sufocamento dos diretórios municipais. “Fala para ele (Quintão) que estou tão preocupado com isso que vou colocar a cabeça no travesseiro e dormir dois minutos depois”, ironizou.

Andrade disse que apenas atendeu a um pedido de correligionários que reclamam da atuação de Quintão à frente do diretório. “O pessoal reclama que ele nunca faz reunião e não conversa com ninguém”.

Detalhes. O TRE informou nesta sexta que o descredenciamento não está assinado pelo presidente Antônio Andrade, mas por um delegado da legenda. Para restituir o diretório, é preciso recorrer à Justiça Eleitoral.

Entenda o caso

Três frentes. Atualmente, o PMDB de Minas está dividido em três correntes que defendem rumos diferentes sobre a disputa pelo governo do Estado.

Vice.  A ala liderada pelo presidente estadual da sigla, deputado federal Antônio Andrade, quer que o PMDB apoie o PT, ocupando a vaga de vice na chapa.

Sozinho.  Outro grupo que tem como principal representante o senador Clésio Andrade defende a candidatura própria com o nome do próprio senador.

Tucanos. Uma terceira ala do PMDB, que evita falar abertamente sobre o assunto, quer o alinhamento ao PSDB.

Números. O PMDB tem cerca de 500 diretórios mineiros credenciados, somando 680 delegados aptos a votar na convenção.

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