Estadual em segundo plano

iG Minas Gerais |

Embora Cruzeiro e Atlético estejam decidindo o Mineiro pela enésima vez, amanhã, com a vantagem do empate para a Raposa, a final tem um aspecto inédito e muito peculiar: é a primeira vez que acontece com os dois gigantes de Minas Gerais na Libertadores. E mais, quem for o campeão, ganha muita moral para entrar nas oitavas de final da competição internacional. Contudo, para o perdedor, não será o fim do mundo. Acho a Raposa favorita para este domingo, e por um motivo muito simples, tem 66,66% de chance de ser a campeã, pois joga por dois resultados, vitória ou empate. Já ao Galo só um triunfo interessa (33,33%). O fato de o jogo ser no Mineirão, “casa” do Cruzeiro, pouco importa, mesmo com a torcida celeste tendo 90% dos ingressos. Aliás, muitos jogadores se sentem bem mais motivados em atuar com torcida contra. Sem falar nas condições do estádio e do campo, praticamente neutros, muito diferente do que acontece no Independência. Mas o que interessa mesmo é a Libertadores! Na coluna de 8 de fevereiro, que você pode ler no www.otempo.com.br, assim como todas as outras já publicadas, escrevi que Cruzeiro e Atlético estavam entre os principais favoritos ao título, com a equipe celeste sendo mais favorita do que a alvinegra. Continuo com a mesma opinião, mesmo com as dificuldades que o Cruzeiro teve para se classificar ao primeiro mata-mata. Inclusive, são essas dificuldades que acho serem mais um fator a favor do Cruzeiro. Está vacinado, esperto. Sabe que não pode vacilar como fez na primeira fase, pois, agora, são só dois jogos em cada fase, nas quais tropeços, geralmente, são irrecuperáveis. Já o Atlético é um caso difícil de ser comentado, mas uma coisa é certa, está muito regular: não vem jogando bem nesta temporada. Diferente do Cruzeiro, muito irregular. Capaz de fazer grandes jogos, como contra Universidad de Chile, no Mineirão (5 a 1), e no Chile (2 a 0), e de atuar mal como o fez ante o Defensor, em casa e no Uruguai (2 a 2 e 2 a 0, respectivamente), ou ainda como na derrota para o Real Garcilaso, no Peru (2 a 1). Mas, pelo menos, jogou bem algumas vezes. Só que o Galo já mostrou que pode ser campeão sem jogar bem. Basta lembrar a Libertadores do ano passado. O time foi muito bem na primeira fase e nos dois jogos das oitavas de final, contra o São Paulo. Depois, contou com muita sorte, o que não diminui em nada a épica e histórica conquista. Só acho que tal sorte pode não pairar sobre o time novamente. É preciso mais bola! Quanto aos próximos adversários dos mineiros na Libertadores, o Galo levou a pior, mas nada alarmante. Além da viagem para a Colômbia ser mais longa do que para o Paraguai, o futebol colombiano tem muito mais tradição do que o paraguaio, e o Nacional de Medellín é muito mais time do que o Cerro Porteño, em que pese toda a tradição do Cerro. Em contrapartida, muita gente está dizendo que o caminho do Galo até a semifinal é, teoricamente, mais fácil, e é mesmo. Se der a lógica, se é que ela existe no futebol, o alvinegro só pegaria pedreira na semifinal, Vélez, Cruzeiro ou Grêmio. Já o Cruzeiro vai encarar Grêmio ou San Lorenzo nas quartas e ainda corre o risco de ter que ir ao distante México na semifinal caso o Galo não fique entre os quatro. Tem quem queira e há quem tema a gozação, mas torço para uma semifinal mineira na Libertadores.

Dilema. Ronaldinho vem sendo poupado para jogos mais decisivos do Atlético, o que, levando-se em conta a idade dele, 34 anos, é uma decisão mais do que correta da comissão técnica do Galo. Só que ausência do camisa 10 denotou uma coisa que, para muitos, já estava clara há tempos: o time joga melhor sem ele. Fica mais rápido e sem a obrigação de ter que dar a bola para ele em todas as jogadas. Sem falar na boa fase de Guilherme.

Lugar errado. Júlio Baptista é um bom jogador, forte e muito experiente, mas rende muito mais no meio do que como centroavante. Basta reparar nos gols que faz, sempre de frente para o gol, vindo de trás. Como “pivô”, é lento e não tem o domínio de bola de um Evair, o melhor “pivô” que vi jogar. Acho que, caso Borges não recupere a velha forma, Ricardo Goulart poderia jogar à frente, e Baptista mais recuado, ainda mais que começou como volante e marca melhor.

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