Estudos revelam o pensador que imaginou o futuro

Compilação traz artigos apresentados em congresso internacional sobre o tcheco Vilém Flusser

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Global. Nascido na atual República Tcheca, Flusser viveu por anos no Brasil e também na França
AE / arquivo
Global. Nascido na atual República Tcheca, Flusser viveu por anos no Brasil e também na França

O filósofo tcheco Vilém Flusser afirmou que os aparatos, ou aparelhos, tecnológicos chegaram a um grau tal de dominação que seus usuários são apenas operadores, interagindo com o mundo por meio das conformidades da máquina. Mais que isso, as fotografias produzidas por esses instrumentos não são apenas meras imagens, mas uma nova forma de enxergar e interpretar a cultura e a história.

A genialidade por trás do pensamento dele é que Flusser morreu há mais de 20 anos e nunca chegou a ver um smartphone, nem abrir uma página do Facebook. “Dentro da teoria crítica da Escola de Frankfurt, a gente pode entender toda a indústria cultural como um aparato do Flusser. E tanto seus consumidores quanto produtores são seus meros funcionários. Por isso, esse conceito dele é de grande atualidade”, argumenta o professor de filosofia estética da UFMG Rodrigo Duarte.

Para reconhecer o quão visionário foi a obra do tcheco, Duarte, ao lado dos colegas Alice Serra, também da UFMG, e Romero Freitas, da UFOP, organizaram um congresso internacional em 2011 com vários trabalhos que repercutiam e elaboravam o pensamento do filósofo. O resultado está sendo publicado no livro “Imagem, Imaginação, Fantasia: 20 Anos sem Vilém Flusser”, que será lançado hoje, às 11h, na livraria Quixote.

Mesmo que Flusser tenha vivido no Brasil por 36 anos e tenha usado sua experiência aqui como inspiração para seus conceitos de sociedade não-histórica e pós-história, o fenômeno da apropriação do seu pensamento na filosofia brasileira é relativamente recente. No entanto, Duarte conta que, com os recursos tecnológicos cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas, o tcheco tem sido considerado um autor-chave para a compreensão dos novos sistemas de comunicação. “Chega a ser estranho que alguém tenha imaginado 30 anos atrás o que acontece hoje, mas fato é que existem pessoas usando o trabalho dele na teoria da literatura e na filosofia do design, por exemplo”, elabora.

Foi o contato entre esses vários grupos de pesquisadores no mundo todo que permitiu a organização do congresso na UFMG. Artigos de pensadores da Argentina, Alemanha e Portugal foram apresentados, discutidos e agora disponibilizados no livro.

Entre eles, Duarte destaca o texto do suíço Rainer Guldin, considerado um dos maiores especialistas em Flusser atualmente. “Ele fala do Flusser como um profeta dos novos meios e mostra como ele, a partir de aparelhos rudimentares dos anos 1980, inferiu a possibilidade das redes sociais. É um artigo que resume e representa bem as discussões presentes nos outros textos”, opina.

Programe-se

Onde. Livraria Quixote (rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi)

Quando. Neste sábado, às 11h

Quanto. R$ 40

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