O relato de uma fã que viu o Muse tocar Nirvana no Lollapalooza 2014

Principal atração do primeiro dia do festival, trio britânico tocou "Lithium", um dos grandes sucessos da banda de Seattle; confira como foi a experiência

iG Minas Gerais | Priscila Santos |

Lollapalooza 2014/Divulgação
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  • Sábado – 05 de Abril
  •   Não é fácil acordar às quatro da manhã de um sábado para embarcar em Confins às seis e meia e desembarcar em São Paulo por volta de oito horas, mas todo o esforço dali para frente valeria o fim de semana que estava por vir. Chegando a São Paulo, rapidamente fui direcionada a um táxi, onde se paga um preço combinado ou utiliza-se o taxímetro (como era minha primeira vez na grande metrópole, optei pelo valor combinado). Chegando ao hotel, guardei minha mala no guarda volumes (pois, minha reserva iniciava-se às treze horas), troquei de roupa no banheiro da recepção e me dirigi ao metrô, aonde através da linha amarela, chegaria ao trem que me deixaria na estação Autódromo. O percurso foi tranqüilo, apesar da super lotação dos vagões, parecia que o mundo inteiro resolveu apreciar um dos maiores festivais de música do Brasil. Fiquei impressionada com o sistema metroviário de São Paulo, me pareceu ser extremamente funcional, apesar de ter ciência das dificuldades diárias de seus usuários.   Chegando ao autódromo de Interlagos me deparo com uma imensa fila, onde eu não conseguia ver o final, dobrei várias esquinas até que consegui me alocar e aguardar minha entrada. Levou em torno de trinta minutos até que eu conseguisse alcançar a primeira entrada, após esta havia a revista de bolsas e mochilas e só então a autenticação dos ingressos. As pessoas que optaram em fazer seu cartão Mastercard de ingresso estavam possessas, pois, o sistema havia parado de funcionar o que ocasionou um fila enorme e uma longa espera. Nesta hora me senti aliviada por não ter escolhido esta opção, fazendo com a taxa de conveniência me parecesse tanto quanto irrisória.   Tentei seguir o roteiro que havia preparado, onde shows, estandes, lanches e banheiro estavam cronometrados e teriam de ser seguidos à risca. Andei o mais rápido possível para o palco Onix, onde acontecia o show do capixaba Silva, bastante a vontade, ele mesclou músicas de seu novo disco “Vista pro Mar” com as de seu primeiro lançado em 2013 e intitulado “Claridão”. O show foi um delicia, apesar do sol escaldante sobre nossas cabeças. Silva agradecia a presença de todos a todo o momento, pois, o espaço estava razoavelmente cheio, a considerar o horário de iniciou (previsto para iniciar às 13h10min), ele parecia não acreditar que tantas pessoas estavam ali para vê-lo, o que de fato era verdade, pois todos cantavam e vibravam com cada música apresentada.   Após o show do Silva, me dirigi rapidamente ao palco Skol, onde aconteceria o show da banda californiana Capital Cities. Eu tinha quer ser rápida, pois, a diferença entre os shows eram de cinco a dez minutos, e a distância entre os palcos era imensa. Não conhecia a banda, mas gostei bastante do som, e platéia que lotava os gramados da parte central do autódromo me dava a entender que estavam ali por eles.    O próximo show seria do Julian Casablanca, corri para comprar fichas e fazer um lanche rápido, pois, o show iniciaria as 16:10. Logo que Julian entrou no palco a platéia foi ao delírio, não era o Strokes, mas era parte dele. Apesar na semelhante de sonoridade, gostei bastante do show, ainda mais no momento em que ele tocou “Take it or  Leave it” do Strokes – neste momento sai do meu corpo e acabei jogando meu refrigerante para o alto.    Queria muito assistir ao show da Lorde, mas, se eu tivesse tomado esta decisão acabaria perdendo o show da Phoenix, pois, a distância entre os palcos era imensa e o Interlagos (palco que a Lorde tocaria) ficava na entrada principal do festival. Como eu tinha 1:20 livre até o próximo show, resolvi dar uma olhada no estande da Skol Deck, onde discos de vinil eram vendidos e você ainda ganhava um pôster com frases das músicas das bandas participantes do evento.    Um dos momentos mais aguardados por mim no sábado era o show da Phoenix, havia assistido a apresentação que eles fizeram em Belo Horizonte em 2010. Em 2013 eles lançaram o disco Bankrupt, então este show prometia. Superaram minha expectativa! O show contou com os principais sucessos da banda e como sempre Thomas Mars (vocal) desceu várias vezes para se jogar no público, chegando a rolar sobre ele. Desta vez, o fio enorme de seu microfone, era segurado por uma espécie de fita e não soltou como aconteceu em Belo Horizonte.    Uma decisão difícil estaria por vir: Nine Inch Nails ou Muse? Optei pelo show do Muse! Resolvi fazer um lanche antes de o show começar, mesmo correndo o risco de não conseguir um lugar tão bom quanto o que estava, por sorte, encontrei vendedores ambulantes no caminho. Consegui voltar para meu lugar privilegiado. As luzes se apagam e os incríveis efeitos de áudio visual da Muse começam, 21:30 e o trio inglês composto por Matthew Bellamy (vocal e guitarra), Christopher Wolstenholme (baixo e vocal) e Dominic Howard (bateria) entram no palco. Começando o show com “nome da música”, o público foi ao delírio.    Sucessos como "Time is Running Out", "Starlight", "Uprising", "The 2nd Law", "Madness". fizeram parte do setlist, mas como no Rock In Rio de 2013, não fomos prestigiados com  a música Showbiz. A surpresa da noite aconteceu quando Matt inicia os acordes de “Lithium” do Nirvana. Voltei há ter 15 anos e pulei como nunca havia pulado na vida. Enquanto isto era alvejada de SMS dos amigos que ficaram em BH, reclamando que a banda não autorizou a transmissão do show (crise de Pearl Jam). Não tocaram Felling Good, o que me deixou um pouco decepcionada. O show do Rock in Rio foi muito melhor na minha concepção, tanto pelo setlist, quanto pelo envolvimento da banda com o público. Havia algo de estranho em Matt naquela noite.   Para sair foi um verdadeiro Deus nos acuda. As saídas se de tornaram estreitas para tantas pessoas e levei mais de 30 minutos para sair, andei o mais rápido que pude, pois o metrô encerraria às uma da manhã. Conclusão: não consegui pegar o metrô, pois, a visão que se tinha era de um apocalipse zumbi ou ataque extraterrestre. Peguei um ônibus até a estação Grajaú (ultima linha do trem), de lá peguei um trem até a Paulista e com muito custo um táxi, pois, quando falava para onde era, os motoristas diziam que não me atenderiam, uma vez que a corrida ficaria em R$20,00. Cheguei ao hotel, dei entrada e apaguei.  
  • Domingo, 06 de Abril
  •   Acordei cedo, tomei café, me arrumei e me dirigi à estação de metrô para fazer o mesmo trajeto de sábado. Precisa chegar cedo, pois, não queria perder o show da Apanhador Só. Desta vez, entrei pelo portão oito, que estava extremamente vazio, diferente do portão nove que utilizei no sábado. Como teoria e prática são coisas distintas, acabei perdendo o show da Apanhador Só. Fiz um lanche rápido e fui para o palco Skol, onde aconteceria o show da Raimundos. Voltei há ter quinze anos novamente! Digão (vocalista) levantou o público com muita rebeldia e brincadeiras. Fez menção ao Ayrton Senna, dedicando a canção “”Esporrei na Manivela” ao ícone da Fórmula 1 brasileira. Após uma volta pela festival, voltei para o palco Skol, apesar de o palco Interlagos estar extremamente atraente, era muito longe e sol do domingo estava pior que do sábado.    Começou o show da cantora inglesa Ellie Goulding. Vestida com uma blusa esporte com a logo da Seleção Brasileira e levando seu sobrenome atrás, Ellie, cantou, dançou, pulou, tocou guitarra e declarou que sua canção preferida é Anything Could Happen. O público respondia com frases como: “Ellie i love you” ou apenas “Ellie! Ellie!”. Fiquei impressionada com os músicos que acompanham a cantora e seus backing vocals são de tirar o fôlego. Um trio composto, por duas mulheres e um homem, abarrotados de swing e dotados de vozes encantadoras. Após o show da Ellie o espaço deu uma esvaziada, então aproveitei para chegar o mais próximo da grade possível. Estoquei água na mochila e comi uma barra de cereal e ali fiquei aguardando o inicio/termino do show da Pixies para o tão sonhado momento: ver e ouvir o Arcade Fire ao vivo pela primeira vez!   A apresentação da Pixies foi como eu esperava, nenhuma ornamentação no palco, ou efeitos audiovisuais, apenas o trio Black Francis (vocal e guitarra), Joey Santiago (guitarra), David Lovering (bateria) junto a recém integrante Paz Lenchantin (baixista).Sem trocar muitas palavras com o público, eles tocaram 23 músicas, dentre elas os sucessos de “Where is my mind?”, “Gouge away", "Monkey gone to heaven", "Hey" e "La la love you".  O público tinha uma mescla de pessoas muito jovens e outros não tanto assim. Foi um show de 1:00h15:00min muito bem aproveitados, mas dava para ouvir muitos reclamando por não terem tocado uma outra música.   Dali para frente seriam 01h40min de espera pela Arcarde Fire, já não dava para sentar, pois eu me encontrava na grade. Assistir uns vídeos no celular, joguei Xadrez e Tetris, quando finalmente faltavam apenas 15min para o show. Guardei meu celular, coloquei a mochila na frente e iniciei minha contagem regressiva mentalmente. 20h30min Arcade Fire no palco! Iniciaram o show com a música Reflektor, música esta que nomeia o novo álbum da banda canadense . Sucessos como “The Suburbs”, "Rebellion (Lies)", “AfterLife” me deixaram em êxtase, assim como, as pessoas que me rodeavam. Com direito a homenagens ao Brasil, a banda tocou trechos de "Nine Out of Ten", de Caetano Veloso, e "O Morro Não Tem Vez", de Tom Jobim, cantada em português por Régine Chassagne (vocalista e multiestrumentista).   O show não só apresenta uma diversidade de instrumentos e sonoridade, como também, traz elementos teatrais, como os bonecos caricatos da banda e um homem cobertos de espelhos no corredor central que separa o público. Na penúltima música "Here Comes the Night Time" fomos alvejados por uma chuva de papeis picados coloridos. Mágico! E finalizando com a música "Wake up" , que é quase um hino para nós fãs da Arcade Fire, o show termina sob as luzes de fogos de artifício. Eu não sei vocês, mas para mim, Arcade Fire é melhor banda da atualidade.  Win Butler (vocalista) se despediu do Brasil dizendo que se ganharmos, ele irá se vestir com roupas da seleção. “Vocês têm que ganhar”, disse o vocalista.  Uma noite para aquecer o coração e guardar na memória.

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