Bate debate 11/4/2014

iG Minas Gerais |

  Piedade   Fagner Sena Assessor Parlamentar   A cidade de Contagem é, de certo modo, paradigmática. Governada por tantas lideranças identificadas com viés distinto dos partidos de esquerda, teve, na última eleição, o confronto direto entre dois partidos de esquerda, PT e PCdoB. Em tese, pode-se dizer que PT e PCdoB são os partidos mais influentes da cidade, apesar de lideranças como Newton Cardoso (PMDB) e Ademir Lucas (ex-PSDB e atual PR) gozarem de grande prestígio no seio do povo.   Em tese, pode-se também dizer que os dois partidos de esquerda com mais longeva trajetória de aliança no Brasil encontram-se “distantes” em Contagem, principal cidade governada pelos comunistas. Ocorre que no ano de 2014, de grande polarização política no Brasil e em Minas, esse distanciamento já dá sinais de arrefecimento.   Há mais ou menos dois anos, na construção da pré-campanha do então deputado Carlin Moura à Prefeitura de Contagem, lembro-me muito bem do simbolismo da disputa da eleição da ACBI (Associação Comunitária do Bairro Industrial). A referida entidade, diga-se de passagem, tem mais de 30 anos de luta e forjou lideranças importantes, como o atual vereador do PCdoB Beto Diniz, que já a presidiu.   Alguns camaradas diziam que era “a prévia da eleição para prefeito”. A gestão que se encerrava era uma composição de lideranças comunitárias do bairro, tendo à frente PCdoB e PT. No ano de 2011 PT e PCdoB protagonizaram um belo confronto, o que de fato foi uma prévia da eleição de 2012. Uma coisa não está vinculada à outra, mas a analogia serviu bem: o PCdoB saiu vitorioso na eleição da ACBI, assim como na eleição municipal no ano seguinte.   Se o rompimento na disputa da ACBI foi simbólico em 2011, espero que o seja também agora. A inscrição de chapas na associação ocorreu ontem, dia 27. Tive a oportunidade de acompanhar de perto o entendimento entre as duas legendas. Foi construída uma chapa unitária, com um programa ousado, que terá à frente o comerciante Marcio, irmão do vereador comunista Beto Diniz, e contará com participação de importantes lideranças petistas do bairro na executiva da entidade. Uma reaproximação de PT e PCdoB em Contagem deve seguir o rito dos que acreditam na política como arte e como instrumento de diminuir as diferenças para a construção de uma sociedade melhor. Deve seguir os caminhos de quem acredita nos partidos para disputar eleição e para organizar o povo em torno de ideias avançadas. De quem coloca os interesses da nação e da cidade de Contagem acima dos interesses de frações, pessoas ou grupos. É uma reaproximação para construir a quarta vitória do povo nas eleições de outubro, reelegendo Dilma; uma reaproximação na organização dos movimentos sociais e comunitários para lutar por melhorias na cidade de Contagem.   Ficam contrariadas as “pessoas de alma bem pequena”, como dizia Cazuza, que defendem que a reaproximação PT e PCdoB em Contagem se dará por meio do gesto do prefeito Carlin, compartilhando com a ex-prefeita – convidando-a e tecendo loas – a inauguração de obras na cidade. Esses querem qualquer coisa, menos a unidade da esquerda!

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