'Queda do Esportivo fez justiça', diz árbitro vítima de atos racistas

Além da exclusão, equipe gaúcha também perdeu nove pontos, o mando de seis partidas e ainda recebeu multa de R$ 30 mil

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

Árbitro Márcio Chagas da Silva foi vítima de atos racistas por parte da torcida do Esportivo
REPRODUÇÃO/BLOGS RBS
Árbitro Márcio Chagas da Silva foi vítima de atos racistas por parte da torcida do Esportivo

O árbitro Márcio Chagas da Silva, que sofreu injúrias raciais no jogo entre Esportivo e Veranópolis, no mês de março, afirmou que se sente feliz pelo resultado do julgamento que excluiu o Esportivo do Campeonato Gaúcho no julgamento do recurso do caso, na noite de quinta-feira.

"Eu me sinto feliz por ter contribuído com a situação dos negros no futebol brasileiro. Não me sinto feliz com o rebaixamento do clube, mas sim pela justiça que foi feita. Acredito que os negros de todo o Brasil também estão comemorando", afirmou o árbitro, que participou do julgamento no Pleno do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul. Além da exclusão, o Esportivo também perdeu nove pontos, perdeu o mando de seis partidas e ainda recebeu multa de R$ 30 mil. Com a decisão, o Passo Fundo volta do rebaixamento.

No julgamento do dia 13 de março, o Esportivo havia recebido apenas uma multa de R$ 30 mil e também perdido cinco mandos de campo. Os dirigentes haviam comemorado o resultado. A procuradoria do TJD, no entanto, recorreu da decisão e passou a pedir a exclusão do clube do campeonato. "Estava incrédulo quanto ao segundo julgamento. Tive esperança no primeiro julgamento, mas nada aconteceu e fiquei decepcionado. Agora, a justiça foi feita", afirmou.

O episódio ocorreu após jogo da 12ª rodada da primeira fase do Campeonato Gaúcho, quando o Esportivo recebeu o Veranópolis no estádio Montanha dos Vinhedos. De acordo com Márcio Chagas da Silva, a torcida mandante gritou xingamentos racistas antes, durante e depois da partida.

Na saída do estádio, o árbitro encontrou seu carro amassado e com bananas no capô e no teto. Os advogados de defesa do Esportivo alegaram que o próprio árbitro havia forjado as provas. "Eu me senti ofendido e sai da sala de julgamento. Pensei que eles fossem reconhecer o erro e pedir desculpas, mas nem isso fizeram", lamentou o árbitro.

No domingo, Márcio Chagas da Silva será o árbitro da final do Campeonato Gaúcho, entre Internacional e Grêmio. "O resultado do julgamento será uma motivação extra para que eu termine o torneio aliviado e de maneira positiva".