Ganhar no primeiro jogo

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Lá vem ele de novo. Isso mesmo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reaparece para o público, por meio de uma entrevista para blogueiros, muito descontraído e à vontade para falar de tudo, inclusive dar um puxão de orelha em que ele avalia estar caminhando fora dos trilhos. O primeiro alvo de Lula não poderia ser outro senão o deputado federal André Vargas, que era o vice-presidente da Câmara de Deputados no momento em que o ex-presidente deu a entrevista, mas já renunciou ao cargo. E não era para menos: Lula disse que ele tinha que se explicar e não poderia deixar o PT “pagar o pato”. Como para bom entendedor pingo é letra, Vargas obedeceu. E teria o deputado petista, que tem contra si um processo de quebra de decoro parlamentar em curso no Congresso, outra opção? É bem possível que ele não tivesse mesmo outro caminho. Quando Lula disse que o PT não poderia “pagar o pato”, estava também dizendo que a bancada petista não mais protegeria o deputado. Abrindo mão do cargo de vice-presidente, Vargas acena para seu partido e pede para continuar tendo guarida, uma vez que está colaborando – evitando que o desgaste fique maior do que já está no momento. Assim, não há dúvida de que o partido e, pelo menos, parte da base aliada da presidente Dilma Rousseff vão tentar evitar a cassação do petista. A melhor estratégia é fazê-lo antes de a coisa chegar ao plenário da Casa. Ou seja, o esquema de impedir o avanço do processo vai começar no Conselho de Ética. Mas Lula também chamou o PT para ir para cima – uma fala muito parecida com a que ele também fez no auge do escândalo do mensalão. A melhor defesa é o ataque. O ex-presidente, em vez de falar das denúncias contra a Petrobras ou Vargas, prefere assumir o papel de injustiçado e atiça a militância. Assim, ele pede o partido para ir para cima. A tática do líder petista parece um pouco com a estratégia utilizada no futebol, esporte preferido dele. Em uma decisão de dois jogos, é sempre melhor usar da cautela no primeiro. É a chance de estudar o adversário e planejar um esquema. Entretanto, se houver risco de uma derrota ampla no primeiro jogo, é melhor partir para o ataque e resolver a competição de uma vez. Lula apareceu para evitar uma derrota no primeiro jogo. Ele tentará colocar uma pedra no caso Petrobras e quer o partido inteiro voltado para a defesa da empresa. Se preciso for, os petistas vão para o ataque à oposição e vão lembrar as histórias de tentativas de privatização da empresa durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Resta saber agora o que a oposição vai fazer: recuar ou permanecer no ataque, utilizando a Petrobras como mira principal. Começou a campanha 2014.

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