Existe vida após uma obra-prima?

Documentário faz parte da mostra “Livres Filmes”, que apresenta catálogo da nova distribuidora homônima

iG Minas Gerais | daniel oliveira |


Leandro Firmino da Hora, o Zé Pequeno, foi descoberto pelo diretor do longa
Livres Filmes
Leandro Firmino da Hora, o Zé Pequeno, foi descoberto pelo diretor do longa

É inquestionável que “Cidade Deus” é um dos - ou talvez o mais – filmes mais importantes da Retomada do cinema nacional. O longa de Fernando Meirelles não só deu uma identidade e uma voz a essa nova fase da filmografia brasileira, mas também revelou uma série de talentos que marcaram presença na frente e atrás das câmeras na última década.

É para refletir sobre esse impacto no elenco do longa que os diretores Cavi Borges e Luciano Vidigal realizaram o documentário “Cidade de Deus – 10 Anos Depois”, exibido hoje às 20h30 no Cine CentoeQuatro, dentro da mostra “Livres Filmes”. Após ajudar a jornalista Maria Rosário Caetano em uma matéria sobre onde os atores do filme se encontravam hoje, Cavi Borges – que já trabalhava com o grupo Nós do Morro, de onde saiu grande parte do elenco – convidou o amigo Luciano Vidigal para transformar o projeto em um longa.

“O Luciano trabalhou no casting de ‘Cidade de Deus’. Foi ele quem achou o Leandro Firmino”, conta Borges. Foi de Vidigal a ideia de fazer do documentário uma análise sobre os percalços de ser um ator negro no Brasil.

“Tem uma parte do longa que é muito política e era mais fácil pro Luciano, como ator negro, parte desse universo e amigo dos entrevistados, fazer certas perguntas”, analisa o diretor. Por outro lado, fazer um documentário exclusivamente com atores apresentou seus problemas. Parte do elenco cobrou cachê pela participação, obrigando a produção a pagar R$ 300 por entrevista. Um deles, envolvido com drogas, pediu mais e chegou a ameaçar os diretores.

“Eles sabiam onde o filme ia passar, quem ia ver. Então, muitas vezes, eles mentiam sobre as dificuldades que estavam passando, drogas. Nós sabíamos, mas não podemos forçar ninguém a compartilhar algo da sua vida que ele não quer”, justifica. .Cinquenta e oito dos 200 atores do filme foram entrevistados; 15 estão no longa

Para que o documentário não se tornasse ‘chapa branca’, Fernando Meirelles não quis ser produtor do filme. No entanto, ele ajudou os diretores a conseguirem um financiamento do Canal Brasil. Parte das 200 horas filmadas que não terminaram no longa se tornarão um programa na emissora em 2015.

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