“Quando perdemos alguém, perdemos um pedaço de nós”

Fábio Belo Psicanalista coord. do curso de psicologia da UFMG

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |


Psicanalista Fábio Belo fala sobre a importância de sentir o luto
Eduardo Gontijo / Divulgacao
Psicanalista Fábio Belo fala sobre a importância de sentir o luto

Como definir o luto?

É um processo de defesa psíquico bastante importante, que consiste em deixar o objeto que perdemos no passado, na memória, razoavelmente esquecido e ser capaz de estabelecer novas relações amorosas após essas perdas. Freud aponta que é um processo de elaboração normal que sempre sucede as perdas.

Qualquer perda pode gerar um luto?

Sim. Perda de um trabalho, de objetos muito valiosos, término de namoro, uma amizade desfeita, qualquer relação de perda pode deflagrar um luto.

Por que temos sentimentos de tristeza e impotência diante de uma perda?

No início da vida psíquica, temos a fantasia de que somos imortais, de que teremos o objeto (de desejo) para sempre, de que a nossa vontade sobre o objeto vai mantê-lo vivo para sempre. Ao nos deparar com essa debilidade, estamos lidando com a falha desse sentimento de onipotência. Assim, o trabalho de luto é sempre duplo: superar a perda e reconhecer que não somos onipotentes.

Luto implica necessariamente em sofrimento?

Sim. Não há nada a fazer para acelerar e tornar esse processo menos sofrido. Quando você ama alguém, você se identifica com esse alguém. Então, quando perdemos alguém, perdemos um pedacinho de nós mesmos.

A pessoa tem que sofrer, com a certeza de que é uma tarefa que dá resultado.

Há alguma dica para superar as perdas?

A dica é falar sobre a perda. Não resista a isso, elabore, trabalhe, não se furte ao trabalho. O trabalho de luto implica em falar sobre as perdas – se possível, acompanhado por um terapeuta ou psicanalista para que o trabalho traga crescimento no final. 

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