Coisas de Amsterdam

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salomão salviano
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Amsterdam sabe se valorizar, turisticamente, como a capital das liberdades individuais. Aos puritanos não faltam motivos para chamá-la de libertina. Os que preferem a diversidade, o respeito às diferenças e parâmetros morais menos restritivos tendem a achar a capital holandesa uma metrópole atraente e divertida. Van Gogh, Rembrandt, Van Dick, Brughel e Vermeer podem ser admirados em muitos e bons museus, aonde os nativos costumam chegar de bicicleta, devidamente protegidos por ciclovias de largura adequada, com semáforos nas intercessões e ao lado dos passeios para pedestres. O motorista de carro contumaz, como eu, chega a se impacientar com a nítida preferência da bicicleta sobre os demais veículos particulares. Mas poucos dias bastam para que a reflexão nos leve a concluir que as escolhas holandesas são, antes de mais nada, racionais. A primazia da bicicleta, como solução individual, e do transporte coletivo reduz problemas de trânsito e poluição e humaniza o ritmo social. Certo de que o comentário subsequente renderá críticas iradas, ouso afirmar que também a racionalidade sustenta a distribuição controlada e oficial da droga aos viciados. Ou será que a corrupção policial e as mortes geradas pelo tráfico de drogas entre nós constituem um mal menor que a descriminalização do consumo de drogas? Hipocrisia zero é melhor pra saúde pública do que comida sem sal. A pé ou em ônibus elétricos como os que BH devia ter, se não tivesse, em dado momento de sua história, rompido com a tradição dos bondes, circulamos Gigi e eu por Amsterdam, com a curiosidade saborosa e livre das crianças. Entre outras descobertas, as bitterballen, croquetes deliciosos de carne, com gostinho de mostarda, servidos no café bar delicioso que há na saída do Rijksmuseum, e fabulosos restaurantes asiáticos, espalhados por toda a cidade. Especialmente os da Indonésia, como o Kantjil & De Tijger, cujo nome se explica na escultura ao fundo do salão principal, onde um tigre se lança sobre sua caça, o menor cervo do mundo, animal indonésio típico, o cantil. A atmosfera do restaurante é agradável, o ambiente alia espaço e conforto, sem chegar a ser luxuoso. Aliás, essa é a regra na Holanda. Tudo parece bom e simples, sem culto à aparência. No geral, a sensação que fica é a de menos formalismo que na Inglaterra, menos sofisticação que na França, menos extravagância que na Itália. O atendimento é simpático, eficiente e tem total proficiência no inglês – o que é regra geral em território holandês. A comida é saborosa e os preços pra lá de razoáveis: 61 euros pra dois, com direito a bebidas, sobremesa, entradas e pratos principais, servidos em porções fartas, trazidas à mesa em muitas vasilhas, permitindo-se a mistura com arroz, no prato. Confira o endereço e as opiniões dos clientes sobre o restaurante no tripadvisor.

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