Teatro para ser lido e ouvido

Graças a projeto, peça “A Primeira Vista” será acessível a deficientes visuais e auditivos em sessão no domingo

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Inclusão. Acessibilidade no Teatro busca proporcionar a experiência teatral para deficientes visuais e auditivos por novos recursos
João Caldas
Inclusão. Acessibilidade no Teatro busca proporcionar a experiência teatral para deficientes visuais e auditivos por novos recursos

Sensitiva a arte é por excelência. Seja na combinação dos sentidos ou priorizando um deles, o que o espectador costuma ter como experiência de fruição artística é basicamente uma ativação de sua subjetividade por meio de estímulos visuais e sonoros, principalmente. Mas e aqueles que por problemas genéticos, acidentes no percurso da vida têm sua capacidade de ver ou ouvir reduzida ou ceifada?

Foi pensando nesses que a Lavoro Produções investiu em recursos que tornam a experiência do teatro, por exemplo, acessível a deficientes visuais e auditivos. No domingo, a sessão do espetáculo “A Primeira Vista”, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna, terá recursos especialmente pensados para os deficientes.

“Para o deficiente é fascinante porque ele sente a possibilidade da autonomia ao ir ao teatro”, destaca Fernando Pozzobon, um dos responsáveis pelo projeto Acessibilidade no Teatro. “Geralmente, a pessoa cega ou surda precisa ir ao teatro acompanhada e quem a acompanha costuma incomodar o restante do público ao descrever o que vê”, relata. As ações que antes eram esporádicas, agora acontecerão uma vez por mês, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna.

Para a sessão de domingo, serão oferecidos três recursos: para os deficientes visuais, a áudio descrição, e para os deficientes auditivos, um intérprete de libras (Língua Brasileira de Sinais) e legendas. “Os cegos recebem um fone de ouvido e uma pessoa fica na cabine descrevendo aquilo que acontece quando não há falas no espetáculo”, revela Pozzobon.

Ele destaca que a natureza do “aqui e agora” do teatro impede que os áudios fiquem gravados. “Tem coisas que acontecem somente naquele dia. Vai que um pedaço do cenário caia ou que um ator demore mais que o esperado”, diz.

Os áudios descritores devem ser pessoas com facilidade para descrição. “Escolhemos pessoas ligadas ao teatro ou locutores. O importante é saber destacar as coisas principais que acontecem na ação, de uma maneira mais objetiva, sem dar muitas nuances pessoais”.

O trabalho da áudio descrição ainda conta com um roteirista, que assiste a um vídeo do espetáculo antes. “O roteirista precisa dominar a língua, ser alguém que tenha essa noção de totalidade de um texto, de um roteiro”, destaca ele.

Embora, o projeto seja por excelência uma iniciativa de acesso e democratização da arte, ele nem sempre conta com a colaboração e compreensão imediata das produções dos espetáculos que contam com os recursos para deficientes. “A maioria das produções fica apreensiva imaginando que esses recursos poderão atrapalhar a peça. Perguntam ‘onde vai ficar essa pessoa? (a que faz a tradução para língua dos sinais)’ ou dizem não poder disponibilizar o vídeo da peça. Mas o interessante é essa postura a partir do momento que eles percebem o potencial do projeto. E isso também acontece com o público que tem uma experiência única”, exalta o produtor.

Histórico. A Lavoro é uma produtora de filmes. Quando seu primeiro curta-metragem, “Cão Guia”, foi convidado para um festival específico de filmes sobre deficientes, em Berlim, seus integrantes decidiram trazer a ideia para o Brasil. Assim, desde 2003 ela realiza o Festival Internacional Assim Vivemos, de Filmes sobre Deficiência. Além de Belo Horizonte, eles estão envolvidos com o projeto Acessibilidade no Teatro no teatros Oi Futuro Gávea e Ipanema, no Rio de Janeiro.

Agenda O quê. “A Primeira Vista” com Áudio descrição, libras e legendas

Quando. Domingo, às 19h

Onde. Teatro Oi Futuro Klauss Vianna (avenida Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras)

Quanto. R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

Acompanhe

Filme. O longa-metragem da Lavoro Produtora, “Incuráveis” – de Gustavo Acioli, com Dira Paes e Fernando Eiras (2006) – foi premiado dentro e fora do Brasil. Você pode acompanhar o trabalho realizado pela Lavoro Produtora pelo site www.lavoroprodutora.com.br ou pelo Facebook: acessibilidadenoteatro

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