Seis décadas de carreira e ainda muito fôlego

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |


Eva Wilma e Tarcísio Meira na novela “Roda de Fogo”, em 1986
ADIR MERA
Eva Wilma e Tarcísio Meira na novela “Roda de Fogo”, em 1986

Mesmo longe da televisão desde 2012, quando interpretou Tia Íris, na novela “Fina Estampa”, é impossível se esquecer da atriz Eva Wilma. Ela é uma daquelas atrizes que vivem no imaginário das pessoas, não só pela quantidade de trabalhos feitos, mas, principalmente, por desempenhar com maestria sua profissão.

Em 2013, ela completou 80 anos de vida e 60 de carreira. Um dos presentes que ganhou foi o papel de protagonista da peça “Azul Resplendor”, em cartaz no Teatro Bradesco. A efeméride, no entanto, não estava prevista para ser divulgada pela mídia como tem sido feito. “Isso foi uma brincadeira-armadilha que meu produtor aprontou. Embora eu seja muito feliz com meus 60 anos de carreira, eu não teria feito um alarde disso. Mas acontece que o André (Mello) resolveu comemorar quando lembrou da data”, conta Eva.

Eles começaram juntos a trabalhar no monólogo “Primeira Pessoa”, composto de trechos de alguns personagens já interpretados por Eva. “São textos que eu não esqueci, mesmo com o tempo”, afirma. Entre eles, constam clássicos pujantes como a Blanche Dubois, de “Um Bonde Chamado Desejo”, a Branca Dias, de “O Santo Inquérito” e Vladimir, de “Esperando Godot”.

A importância da carreira de Eva também é definida por seu papel na história teatral do Brasil. Em 1953, foi uma das fundadoras do Teatro de Arena, grupo que promoveu uma renovação no modo de fazer teatro no Brasil, entre as décadas de 1950 e 70.

Durante o período, vários personagens importantes passaram pela vida da atriz, como a cega de “Black-Out”, em 1967, escrita por Frederick Knott. “Essa peça policial ficou bem famosa e nos proporcionou um grande sucesso, inclusive viajamos para os EUA a convite da embaixada norte-americana”, recorda. Durante a viagem foi cotada para participar do filme “Topázio”, de Alfred Hitchcock, mas o papel acabou nas mãos de uma atriz alemã. “Como atriz é muito importante ter passado por peças desses autores”, comenta.

Paralelamente ao seu sucesso no teatro, Eva também trilhava os caminhos na teledramaturgia. Seu primeiro trabalho foi na série “Alô Doçura”, na extinta TV Tupi, em 1954. Um dos ápices, porém, foi na novela “Mulheres de Areia” (1973), em que interpretou as gêmeas Ruth e Raquel. Sua elogiada performance lhe rendeu o Troféu Imprensa por meio de uma inusitada situação: a ganhadora original foi a atriz Regina Duarte, que ao recebê-lo surpreendeu a todos ao repassá-lo para Eva.

No cinema, esteve em obras importantes como “Cidade Ameaçada” de Roberto Faria, e “O Quinto Poder”, de Alberto Pieralisi.

Mesmo nomeando as principais obras em que Eva Wilma esteve, não seria possível demonstrar seu valor para o contexto cênico nacional. O que talvez represente melhor isso seria seu evidente desejo de continuar atuando. Ainda neste ano, por exemplo, fará uma apresentação na série “A Grande Família”, que está em sua última temporada. “A Nenê (Marieta Severo) entra em crise e surta. Daí vai consultar uma psicanalista que será interpretada por mim”, adianta.

Os planos para novos trabalhos futuros não param por aí. Entre eles, um especial. “Desenvolvi a peça ‘Quando Coração Floresce’ com meu marido (o ator Carlos Zara, morto em 2002), mas éramos muito novos para interpretar os papéis. Tínhamos na época uns 40 e poucos e os personagens tinham quase uns 80. Ele até comentou em seu livro autobiográfico que encenaríamos a peça juntos quando ficássemos velhinhos. E está nos meus planos fazê-la logo”, diz.

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