Superbactérias voltam a preocupar pacientes

Médica reclama de que média de retenção de pessoas que aguardam procedimentos é alta; entradas de oxigênio também estariam sendo divididas por mais de uma pessoa

iG Minas Gerais | Dayse Resende |


Susto. 

O marido de Maria Cândida também ficou internado por quase 3 meses e foi isolado por precaução
Moisés Silva
Susto. O marido de Maria Cândida também ficou internado por quase 3 meses e foi isolado por precaução

 

Pacientes do Hospital Regional e seus familiares estão preocupados com novas contaminações por superbactérias que foram diagnosticadas recentemente. O maior medo dos usuários é que a unidade volte a enfrentar um surto de doenças infecciosas como ocorreu entre 2012 e 2013, quando pelo menos 24 pessoas morreram vítimas de KPC – uma bactéria multirresistente a antibióticos.   Por causa do problema, a instituição ficou fechada no início do ano passado para novas internações, com o objetivo de que fossem implantadas medidas imediatas e de médio e longo prazos determinadas por um relatório elaborado pela Vigilância Sanitária Estadual. O intuito era reduzir o risco de contaminação hospitalar na unidade de saúde.   No entanto, funcionários da instituição denunciam que, mesmo depois de haver vistorias, pouca coisa mudou no hospital. Segundo uma médica, que pediu para não ser identificada, “as obras de melhorias prometidas para o hospital se arrastam”.   Ela também garante que a média de retenção de pacientes que aguardam procedimentos é alta. Além disso, as entradas de oxigênio continuam sendo divididas por pacientes, aumentando as chances de infecção. “Nos hospitais particulares, o paciente não fica mais de uma semana esperando uma cirurgia. Se falta cirurgião, outro faz o serviço. Mas, no Regional, há pacientes esperando há mais de meses, o que facilita a proliferação de infecções”, destaca a funcionária. Esse é o caso do paciente Cosme Damião Aparecido, que está internado no Regional desde o dia 1° de fevereiro, ocasião em que ele quebrou o tornozelo e a canela esquerda depois de se acidentar em casa.    Segundo o seu irmão, Gilmar de Souza, o pedreiro deu entrada no hospital consciente, conversando e andando. No entanto, na quinta-feira (10), ele estava internado inconsciente e isolado por contaminação de superbactéria.   Durante os quase 70 dias já internados, Souza contou que o seu irmão ficou cerca de 15 dias no pronto-socorro aguardando a cirurgia. Depois de seu estado de saúde se agravar, ele foi transferido para o CTI da unidade de saúde, onde ficou por quase um mês. “Hoje o estado de saúde do meu irmão é crítico. Ele entrou no hospital andando e, hoje, precisa de alguém até para lhe dar banho. Além disso, ele só se alimenta através de sonda”, conta Souza.   Ele ainda relata que Aparecido já teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e contraiu várias bactérias. “Meu irmão está cheio de feridas no corpo. Ele também está muito magro e atrofiando os músculos. Tenho medo de ir visitá-lo e contrair alguma infecção”, ressalta.   Outra que reclama da situação é Maria Cândida, esposa do paciente Hélio José de Oliveira, 60, que, desde o dia 6 de janeiro, estava internado no Regional à espera de uma “vaga fixa” no setor de hemodiálise.    Segundo ela, apesar de Oliveira ter conseguido a vaga no dia 24 de março, teve que permanecer no hospital porque foi diagnosticado com uma infecção. “Ele ficou tanto tempo internado esperando a vaga que contraiu uma contaminação. Por causa disso, ele teve que receber o tratamento com precaução”, disse Maria Cândida.   Oliveira só recebeu alta no dia 1° de abril. “Foram dias difíceis. Meu marido só recebeu alta depois que a contaminação por bactérias foi curada”, revela a dona de casa.   Resposta Através de nota, a prefeitura informou que, atualmente, há apenas três pacientes infectados com bactérias multirresistentes internados no Regional. Sobre as obras, o Executivo ressaltou que o hospital está passando por mudanças estruturais, e que o cronograma prevê reformas até o segundo semestre de 2016. Sobre a utilização de oxigênio, a direção do hospital garantiu que a saída de oxigênio é de uso individual para cada paciente.   Alarmante Dados alarmantes divulgados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) revelam que as bactérias já matam mais que a Aids nos Estados Unidos. São 23 mil mortes anuais, contra 15 mil causadas pelo HIV. No país, os remédios não conseguem combater 17 tipos do micro-organismo.   Outro relatório divulgado no fim de março pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrou que cerca de 500 mil casos de tuberculose em 2012 foram causados por bactérias super-resistentes em todo o mundo. Até 2015, os casos podem chegar a 2 milhões. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave