Papiro sobre Jesus não é fraude moderna, diz Harvard

Cientistas concluíram que a tinta e o papiro são muito provavelmente antigos, e não uma falsificação moderna, informou nesta quinta-feira o jornal New York Times

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Após estudar um fragmento de papiro conhecido como o "Evangelho da Esposa de Jesus", que causou um alvoroço quando revelado por uma historiadora da Escola de Divindade de Harvard em 2012, cientistas concluíram que a tinta e o papiro são muito provavelmente antigos, e não uma falsificação moderna, informou nesta quinta-feira o jornal New York Times. Os resultados da pesquisa foram publicados hoje no periódico Harvard Theological Review.

De acordo com o NYT, o ceticismo sobre o papiro é grande porque ele contém uma frase nunca vista nas Escrituras: "Jesus disse a eles, 'Minha mulher (...)'". O papiro também apresenta as palavras "ela poderá ser minha discípula", frase que inflamou o debate em algumas igrejas sobre se as mulheres podem ser sacerdotisas.

Segundo a reportagem, o fragmento de papiro foi analisado por professores de engenharia elétrica, química e biologia das universidades de Columbia e Harvard e pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Eles relataram que o documento parece com outros papiros antigos, datados do quarto ao oitavo século.

Os resultados das investigações não provam que Jesus tinha uma esposa ou discípulas, salientou o jornal, acrescentando, no entanto, que os estudiosos concordaram que o fragmento é mais provavelmente um trecho de um antigo manuscrito do que uma farsa. Karen L. King, a historiadora da Escola de Divindade de Harvard que tornou o papiro conhecido, já havia dito que ele não deve ser considerado como prova de que Jesus se casou, mas sim de que os primeiros cristãos discutiam temas como celibato, sexo casamento e discipulado.

Contudo, nem todos concordam sobre o resultado da investigação, salientou o jornal. O Harvard Theological Review publicou não só o artigo de Karen e outros cientistas nesta quinta-feira, como também uma refutação por Leo Depuydt, professor de Egiptologia da Universidade de Brown, que declara o fragmento tão visivelmente falso que "parece pronto para uma esquete do (grupo de humor) Monty Python".

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