Mulher que matou colega com óleo quente não se arrepende do crime

O motivo da briga foi um desentendimento por causa da luz da pensão que dividiam; a vítima tinha medo de escuro e só dormia com a luz acesa e a suspeita preferia a luz apagada

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Os planos da vítima foram frustrados por Luercilaine que jogou óleo quente em Tatiele por causa de uma luz acesa
OSVALDO RAMOS
Os planos da vítima foram frustrados por Luercilaine que jogou óleo quente em Tatiele por causa de uma luz acesa

A mulher que matou a colega de pensão com óleo quente em Santa Lucia, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi apresentada pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (10). O crime foi cometido após um desentendimento entre as duas sobre a luz ficar acesa ou apagada. A autora do crime, Luercilaine das Neves Delfino, 28, não se arrepende do assassinato e estava morando em uma barraca na praia, em Vitória, no Espírito Santo, antes de ser presa.

De acordo com o delegado Christiano Xavier, titular da delegacia de homicídios de Santa Luzia, Luercilaine foi presa em outubro passado. Após o crime ela chegou a ser detida, mas foi liberada. A vítima, Tatiele Pereira de Matos, 21, chegou a ficar internada em estado grave por um mês, até morrer e a autora do crime ser procurada novamente pela polícia para ser detida. No entanto, na ocasião, ela já havia fugido e passou a viver como pedinte, morando na barraca de um camping em uma mineradora em Vitória.

Funcionários da empresa estavam prestes a arrumar um emprego para ela na mineradora, quando o caso foi divulgado e eles perceberam que se tratava de Luercilaine. Foi assim que eles acionaram a polícia e ela ficou presa, desde então, em terras capixabas. Só no dia 1° de abril deste ano é que ela foi transferida para Belo Horizonte, onde permanece detida.

Frieza

Na apresentação, a mulher não mostrou em nenhum momento algum sinal de arrependimento pelo crime. Ela disse que foi um momento de fúria e que a vítima a incomodava muito com agressões verbais. “Ela tinha preconceito comigo, queria o meu mal, e fazia orações olhando pra mim, desejando o meu mal. Agora que eu tô na cadeia, está acontecendo tudo o que ela queria, ela queria que eu sofresse”, disse Luercilaine.

Cerca de 15 dias antes do crime, Tatiele já tinha sofrido um atentado por parte da suspeita. Na ocasião, Luercilaine colocou cloro na água da vítima, que passou um dia no hospital com intoxicação.

O crime

Na casa que era divida entre quatro meninas, entre elas, Luercilaine e Tatiele, as brigas eram constantes. As colegas disseram que suspeita e vítima tinham diversos atritos o que fez com que, em determinada ocasião, Luercilaine colocasse cloro na água de Tatiele. Sobre a vítima, as colegas disseram que ela era uma pessoa alegre e espontânea, e veio de Ladainha para trabalhar como balconista em Santa Luzia e estudar para um concurso do Corpo de Bombeiros. Havia cerca de um ano que ela estava na pensão.

Já Lucierlaine estava no local há apenas dois meses e era auxiliar administrativa. A briga aconteceu em março do ano passado quando as duas discutiram por causa de uma luz acesa. Tatiele tinha medo do escuro e só dormia com a luz acesa. Já a suspeita preferia a luz apagada e costumava se levantar por volta de 4h da manhã para cozinhar. No dia 15 ela se levantou e viu a luz acesa, esquentou o óleo na panela e jogou na cara da vítima, que dormia.

As colegas de pensão viram quando Luercilaine pôs o óleo no fogo, mas pensaram que ela estava preparando algo para comer, como sempre fazia. O óleo entrou nas vias respiratórias da vítima, e ela ficou internada em estado grave por um mês no hospital de pronto-socorro João XXIII, até morrer. 

Punição

Ainda segundo o delegado, Luercilaine será indiciada por homicídio duplamente qualificado: motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Além disso, Xavier acredita que a mulher tenha cometido o crime com intenção de matar Tatiele. A pena pode variar entre 20 e 30 anos.

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