Banco para sangue de cordão será lançado nesta quinta

Iniciativa beneficia pacientes do SUS e interliga MG a unidades de outros Estados

iG Minas Gerais | Camila Bastos |

Panfletagem. Hemominas realizou campanha ontem para incentivar doação de medula óssea
PEDRO GONTIJO / O TEMPO
Panfletagem. Hemominas realizou campanha ontem para incentivar doação de medula óssea

A partir desta quinta, Minas Gerais passa a contar com o primeiro banco público de cordão umbilical do Estado – o Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário (BSCUP), que irá armazenar células-tronco. A unidade será inaugurada pela Hemominas às 10h, no Centro de Tecidos Biológicos de Minas Gerais, em Lagoa Santa, na região metropolitana, e vai funcionar sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), que disponibilizará o material para o tratamento de diversas doenças.

O BSCUP é ligado à Rede BrasilCord, que possui 12 bancos públicos de sangue de cordão umbilical em funcionamento no país, com material intercambiável – em São Paulo (quatro unidades), Rio de Janeiro, Distrito Federal, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Ceará, Pará, Pernambuco e Paraná.

“Os bancos armazenam sangue de cordão doados e disponibilizam gratuitamente para todos os pacientes do Sistema Único de Saúde”, explica Fernando Basques, diretor técnico e científico da Hemominas. Segundo o médico, inicialmente os maiores beneficiados serão os pacientes que aguardam transplante de medula óssea.

O material poderá ajudar também no tratamento de pacientes com doenças hematológicas (como anemias), onco-hematológicas (caso da leucemia) e imunodeficiências (causadas pelo HIV, por exemplo). Também serão beneficiados pacientes com doenças genéticas, tumores sólidos e doenças autoimunes, como diabetes 1.

Público x privado. Basques destaca que a lógica do banco público é bem diferente daquela dos bancos privados – que demandam investimento inicial de até R$ 4.000 e anuidade de R$ 700 aproximadamente. “No banco privado, o usuário congela para ele. No banco público, qualquer paciente pode usar as doações”, diz.

Coleta. Inicialmente, o BSCUP fará parceria com a maternidade do Hospital Sofia Feldman e as do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg). As mães que tiverem interesse de doar o sangue do cordão umbilical deverão ter entre 18 e 35 anos, ter feito pelo menos dois exames de pré-natal e ter passado por gestação sem complicações de, no mínimo, 35 semanas.

Custo

Buscar uma amostra de sangue de cordão umbilical compatível no exterior custa, em média US$ 70 mil. Com o material da Rede BrasilCord, esse valor cai para R$ 3.400.  

Banco renova esperanças para pacientes com leucemia Portadores de Leucemia do tipo Mieloide Crônica (LMC) – tratável por meio do transplante de medula óssea – serão os beneficiados mais imediatamente com a inauguração do Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário, de acordo com o diretor técnico e científico do Hemominas, Fernando Basques. Ele explicou que isso ocorre devido ao avanço das pesquisas científicas nessa área. “Com o banco, o material está lá e podemos usar na hora em que necessitarmos”, afirma Antônio Matozinhos, presidente da Associação de Leucêmicos de Minas Gerais. O dirigente conta que pacientes chegam a aguardar por até três anos para conseguir doador de medula óssea compatível. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), as chances de encontrar um doador ideal entre irmãos de mesmo pai e mesma mãe é de 25%. Apesar de haver mais de 21 milhões de doadores no mundo, a chance de encontrar um doador fora da família é, em média, de uma a cada 100 mil.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave