Indústrias repassam reajuste

Por causa da alta e de maiores custos, margem de lucro reduziu; consumidor deve arcar, mais uma vez

iG Minas Gerais | Pedro Grossi |


Setores que consomem mais luz reduzem turnos e sua  produção
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Setores que consomem mais luz reduzem turnos e sua produção

Enquanto o consumidor cativo da Cemig terá de absorver um reajuste de 14,24% na conta de luz, o consumidor que compra energia no mercado livre, com preços não regulados, está lidando com aumentos até 10 vezes maiores. Consumidores que atuam nesse mercado são geralmente grandes indústrias que, pela alta da energia e dos custos, ou terão margens bastantes reduzidas ou terão de repassar os custos para o consumidor.

A situação é crítica para aqueles grandes compradores que atuam no mercado livre e que estão sem contratos que garantam preços pré-estabelecidos. “O contrato existe exatamente para dar esta segurança durante períodos de turbulência. Dependendo do setor em que atua, se o empresário estiver sem energia previamente contratada, o aumento de custos pode ser tão grande que inviabilizaria até a produção”, analisa o diretor da consultoria de energia Excelência Energética, Erick Rêgo.

O presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Fernandes, admite que a situação pode ser bastante grave em alguns setores. “Tem empresa que já cortou turno, reduziu a produção e cortou custos. Setores eletrointensivos vão sofrer bem mais. A alta da energia no mercado livre chegou a ser de quase 150% em alguns casos”, disse.

Segundo ele, energia que era comercializada há alguns meses a menos de R$ 400 o megawatt/hora (MWh) custa agora R$ 822 no mercado spot (à vista). “O gestor que resolveu correr o risco de não contratar energia agora pode ser obrigado a fechar as portas”, diz Rêgo. Para os próximos anos, como a perspectiva é de novos reajustes no mercado cativo para compensar a utilização das térmicas, o preço no mercado livre também deve seguir essa tendência. O representante da Fiemg diz que as altas, estimuladas pela lei do mercado – já que o cenário é de escassez de energia – já praticamente anularam eventuais ganhos assimilados a partir da lei 12.873/13, que reduziu, na média, em 18% as tarifas de energia elétrica. “Se não tivéssemos a redução, o cenário seria ainda pior, já que esses aumentos foram gerados por questões climáticas e pelo baixo nível dos reservatórios. Mas é fato que os benefícios da medida provisória 579 já foram praticamente anulados”.  

Empréstimo de “socorro” cresce mais Brasília. O empréstimo para socorrer as distribuidoras de energia será operado por 13 bancos e totalizará R$ 11,2 bilhões, anunciou ontem à noite o Ministério da Fazenda. A operação de crédito será contratada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e terá exclusivamente recursos dos bancos. As condições do empréstimo como juros, prazo e carência deverão ser definidas até o próximo dia 28 de abril. Inicialmente, o governo havia anunciado que o empréstimo corresponderia a R$ 8 bilhões, mas foi ampliado para cobrir os custos crescentes.

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