Maior inflação em 11 anos põe em xeque o Banco Central

Banco Mundial diz que não deveria haver pressão de preços num cenário de expansão anêmica

iG Minas Gerais |


Tomate volta a ser o vilão da inflação, agora junto com a batata
CHARLES SILVA DUARTE/O TEMPO
Tomate volta a ser o vilão da inflação, agora junto com a batata

São Paulo. O índice oficial de inflação (IPCA) de março colocou a estratégia do Banco Central novamente em xeque. A exemplo do susto com o índice de dezembro do ano passado, que forçou mais altas da taxa básica de juros (Selic), a inflação repetiu 0,92%, a maior alta mensal em 11 anos. O resultado elevou as chances de que o teto da meta seja rompido ainda neste trimestre, permanecendo acima de 6,5% pelo menos até o início de 2015 e colocando um ponto de interrogação sobre os próximos passos da política monetária.  

O economista chefe do Banco Mundial para América Latina e Caribe, Augusto de la Torre, destacou que o Brasil enfrenta uma combinação difícil de inflação alta e baixo crescimento, e que deve adotar uma política fiscal mais austera para dar espaço ao Banco Central para reduzir a taxa de juros. A Selic avançou de 7,5% para 11% em um ano.

Em sua opinião, a ausência de rigor fiscal é o que explica a inusitada pressão de preços em um cenário de expansão anêmica. “Normalmente isso não ocorre”, disse Torre, na apresentação da análise semestral da entidade sobre a região.

Até a manhã de ontem, estava claro para o mercado o desejo do Banco Central de encerrar o ciclo de alta dos juros, talvez com mais uma elevação em maio. Mas quando o BC se preparava para concluir essa etapa do aperto monetário, o IPCA registrou a maior alta para o mês desde o começo do governo Lula, em 2003.

A nova estratégia do BC foi colocada em dúvida, segundo o economista chefe do J. Safra, Carlos Kawall. “O Banco Central sinalizou que pode até fazer mais uma alta da Selic, mas que em princípio poderia não fazer. Mas o IPCA traz um sinal muito ruim de que em maio já romperia o teto da meta. Isso coloca essa estratégia em dúvida”, diz. Kawall lembra que é o segundo mês, em um espaço curto de tempo, com inflação de 0,92%. Se dezembro foi considerado um ponto fora da curva, a repetição de um percentual próximo de 1% é preocupante.

Comida mais cara. Tomate, batata, leite e carnes ficaram mais caros, mas as despesas com passagens aéreas e combustíveis também aumentaram, segundo o IBGE. A estiagem prejudicou lavouras e pastagens, encarecendo carnes e leite. “Tem influência do clima, mas pode ter influência também de alguma possibilidade especulativa”, ponderou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

FMI pede cuidado com a meta fiscal WASHINGTON, EUA. No ano eleitoral, o Fundo Monetário Internacional (FMI) recomenda ao Brasil que faça valer suas intenções de austeridade fiscal. Isso significa seguir e entregar o arcabouço de política fiscal desenhado para 2014, e anunciado em fevereiro, que prevê controle de gastos e superávit primário de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Até a explosão da crise financeira, o patamar era 3%. O FMI alerta que a campanha para a eleição presidencial pode elevar pressões sobre gastos públicos, complicando a já deteriorada situação fiscal.  

Pesos pesados

Quem mais subiu. O tomate ficou 32,85% mais caro, enquanto a batata subiu 35,05%. Graças à influência do Carnaval, as tarifas aéreas ficaram 26,49% mais caras em março.

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