Manobra adia CPI para terça

Plenário do Senado vai analisar pedido da oposição para a investigação ser exclusiva da estatal

iG Minas Gerais |

Reação.José Agripino, Aécio Neves e Aloysio Nunes durante manobra da base na reunião que decidiu por manter escopo amplo da CPI
Marcos Oliveira
Reação.José Agripino, Aécio Neves e Aloysio Nunes durante manobra da base na reunião que decidiu por manter escopo amplo da CPI

Brasília. Em manobra articulada pelo Planalto, o Senado adiou para a próxima terça a decisão sobre a instalação da CPI da Petrobras. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que marcou a data após consultar líderes de partidos do governo e da oposição – mas a data atende a estratégia deflagrada pelo governo de retardar ou evitar o início das investigações.

O plenário do Senado vai analisar questionamento do PSDB para que a CPI reúna assuntos exclusivos da Petrobras. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nessa quarta comissão de inquérito mais ampla, com poderes para investigar o caso do cartel do metrô de São Paulo e as atividades do Porto de Suape (PE).

Os dois temas foram sugeridos por governistas para constranger a oposição, depois que PSDB, DEM e PPS apresentaram o pedido de criação da CPI da Petrobras. O objetivo é atingir prováveis adversários da presidente Dilma Rousseff nas eleições de outubro, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB).

Se o plenário seguir a CCJ, os senadores vão rejeitar os argumentos do PSDB e acatar os apresentados pelo PT de que os temas podem ser investigados pela CPI porque se referem a desvios de recursos da União. O plenário também terá que analisar outro recurso, apresentado pelo PT, que inviabiliza a CPI da Petrobras. Apesar de ter sido rejeitado pela CCJ, o recurso diz que a comissão de inquérito não pode ser criada porque não há “fato determinado”, uma vez que os quatro temas relacionados à Petrobras sugeridos pela oposição não teriam conexão entre si.

Durante a votação na CCJ, a oposição se rebelou e não votou o parecer do senador Romero Jucá (PMDB-RR) favorável à CPI ampla da Petrobras – que acabou sendo aprovado pela comissão. A sessão da CCJ foi marcada pela troca de farpas entre senadores governistas e da oposição. Liderando a tropa de choque do Planalto, a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) acusou a oposição de usar argumentos para defender a CPI da Petrobras que condenava no passado.

Gleisi citou vários exemplos de “manobras” que teriam sido adotadas pelo PSDB no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para impedir CPIs. “Queria lembrar a CPI do Proer, que foi instalada e foi admitido recurso contra a comissão duas semanas após de ser criada. Isso é manobra”, atacou.

Em defesa da oposição, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) acusou a petista de viver no “mundo da lua” e trabalhar para “engavetar” as investigações que envolvem a Petrobras. “A senhora está enganada, não quer a CPI da Petrobras”, disse o tucano.

FHC

Palpite. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nessa quarta em palestra no Rio que a Petrobras “virou bagunça”. O tucano também apontou “acúmulo de erros na questão energética” do país.

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