A Copa e os abusos

iG Minas Gerais |

Sou totalmente a favor dos protestos contra a corrupção e abusos que envolvem a organização da Copa no Brasil. Só assim os políticos que comandam o país, e os que querem chegar lá, serão pressionados a mudar a forma de conduzir os negócios dos estados e do país. Mas considero esse movimento “não vai ter Copa” um exagero, pois não tem nada a ver, nada racional. A Copa está aí, é uma realidade e será realizada. O momento de evitá-la foi nove anos atrás, quando o governo brasileiro e a CBF correram atrás da Fifa, moveram mundos e fundos para convencê-la de que o Mundial deveria ser aqui. Dois anos depois, ela bateu o martelo e disse “sim”, porque a melhor oferta era a do Brasil, que, além do mais, estava disposto a aceitar todas as imposições dela. E assim foi feito. Agora, é “chorar na cama que é lugar quente”. Vandalismo é outra coisa, que brota em função da impunidade. Porém, impunidade de todos, inclusive dos graúdos, que mandam no país; não só dos marginais pés de chinelo. Quando nem decisões judiciais são respeitadas, abre-se o caminho para a anarquia. E tivemos um péssimo exemplo do sindicato das empresas de ônibus que operam em Belo Horizonte.

Esperteza. Como o futebol toma conta da mídia e das mentes da maioria das pessoas nos fins de semana, muita gente não tomou conhecimento da notícia, dada com destaque por O TEMPO, de que as empresas de ônibus fingiram que não sabiam e ignoraram a decisão judicial de não aumentar o preço da passagem. Felizmente, com um Atlético e Cruzeiro na cabeça, foram poucas as manifestações com violência.

Clássico. Os treinadores terão papel fundamental domingo, na partida decisiva. Marcelo Oliveira certamente vai utilizar a principal arma ofensiva celeste, as bolas pelo alto, apostando nas deficiências de marcação dos laterais atleticanos. Paulo Autuori conta com um miolo de zaga que está muito firme e acertou com a volta da dupla Pierre/Leandro Donizette à frente dos zagueiros.

Contraponto. O Atlético terá de sair para o jogo porque só a vitória interessa e a expectativa é que as principais estrelas rendam o que se espera delas: Ronaldinho e Tardelli, coadjuvados por Guilherme, que vem subindo de produção. Terão pela frente um meio campo eficientíssimo, ponto alto do Cruzeiro no ano passado.

Uma certeza. Em um choque desses só uma certeza: será um grande espetáculo, desses para serem lembrados durante muitos anos, com todos os ingredientes de um jogo memorável: excelentes jogadores dos dois lados, nervos à flor da pele, muita tensão e a proibição de errar. E que não haja violência entre os torcedores, pois apesar de tudo, é apenas um jogo de futebol.

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