Telhados de vidro

iG Minas Gerais |

A investida da oposição na enorme caixa-preta da Petrobras, com o reflexo imediato na candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff, não ia ficar sem uma resposta do PT. E ela veio rápido e de forma agressiva. Além de a base do governo no Congresso conseguir incluir os contratos do metrô de São Paulo na investigação, em Minas Gerais, principal base do senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB), deputados estaduais petistas e peemedebistas estão por uma assinatura (são necessárias 26) para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa para apurar também as obras e a concessão da gestão do estádio Mineirão. É uma estratégia clara de intimidar e mostrar ao candidato tucano o tamanho do arsenal guardado contra ele. É o PT dizendo a Aécio: você também tem um enorme telhado de vidro e será alvejado. O contra-ataque ocorre um dia depois de o ex-presidente Lula, em entrevista a blogueiros, em São Paulo, convocar parlamentares e a militância a reagirem à tentativa de instalação da CPI da Petrobras. Lula está preocupado, e com toda a razão, com o desgaste sofrido pela presidente desde o início do ano com crises na estatal, no setor elétrico, na economia – a inflação tem se mostrado persistente – e na relação política com os aliados. De acordo com pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana, apesar de ainda vencer no primeiro turno, a petista caiu seis pontos percentuais em relação ao último levantamento, passando de 44% para 38% das intenções de voto. Mesmo Aécio e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), concorrentes ao Planalto, não tendo sido capazes de canalizar para suas campanhas a derrapada da presidente, o PT já iniciou o revide para miná-los. Aécio, por liderar a oposição no Congresso e ter maior exposição, será o alvo principal. Caso a CPI do Mineirão seja instalada, o desgaste será inevitável. Além de nebuloso, o contrato do governo do PSDB com a Minas Arena, empresa gestora do estádio, sofreu inúmeras críticas pela benevolência com o setor privado. Só no ano passado, o Estado bancou R$ 44,4 milhões para cobrir prejuízos da concessionária, conforme previa a Parceria Público-Privada (PPP) assinada entre eles. Provavelmente, nem a CPI da Petrobras nem a do Mineirão vão resultar em alguma coisa em relação ao mérito das investigações. Mas irão se prestar como importante elemento eleitoral de ataque ao adversário, evidenciando um cenário de judicialização das urnas em um vácuo de propostas e programas capazes de mudar a realidade do país. Será uma briga para ver quem melhor explora o telhado de vidro do outro e traduz isso para o eleitor. O PT parece agora disposto não só a neutralizar as investidas tucanas, mas também a contra-atacar.

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