Ranger Sport é boa de dirigir, mas gastadora

Picape média da Ford é confortável e proporciona bom desempenho, mas consumo de combustível é elevado demais

iG Minas Gerais | Alexandre Carneiro |

Versão Sport é equipada com pneus de uso misto, mas só tem tração traseira
Alexandre Carneiro
Versão Sport é equipada com pneus de uso misto, mas só tem tração traseira

A Ford quer aumentar a participação da Ranger no mercado nacional. Durante o lançamento da versão Sport, disponível unicamente com cabine simples, motor 2.5 flex e câmbio manual de cinco marchas, a marca norte-americana deixou claro que a meta é estabilizar a picape na terceira posição de vendas na categoria, superando a VW Amarok e ficando atrás apenas da Chevrolet S10 e da Toyota Hilux.

Caberá justamente à configuração Sport o papel de abocanhar novos compradores para a Ranger. Essa versão, que já esteve associada à antiga geração da caminhonete Ford e que fez sucesso no mercado, volta para preencher uma lacuna na linha: a de picape cabine simples destinada ao lazer. A S10 LS cabine simples 2.4 flex, única opção com características técnicas semelhantes vendida no Brasil, concentra suas vendas em pessoas jurídicas, que a usam para o trabalho.

Com preço de R$ 67.990 e pacote fechado de equipamentos, a picape traz ar-condicionado manual, direção hidráulica, rádio/CD player com entrada USB e conexão bluetooth, vidros, alarme, travas e retrovisores elétricos, controlador de velocidade, faróis de neblina e volante multifuncional, além dos agora obrigatórios airbags frontais e freios ABS. O toque esportivo fica por conta dos adesivos laterais, do santantônio na caçamba, do enxerto no para- choque dianteiro e das rodas de liga leve aro 17.

O valor competitivo e o visual atraente fazem com que a Ranger Sport mire em um público diversificado: ela disputará compradores tanto com as versões básicas das caminhonetes médias quanto com as configurações top das picapes compactas. A ideia da Ford é seduzir jovens e solteiros, que não precisam de banco traseiro e curtem uma aventura no fim de semana, com uma moto ou uma bicicleta na caçamba. Mas trilhas radicais estão fora do roteiro, pois essa versão é oferecida só com tração 4x2. Ao menos há um diferencial autobloqueante, que ajuda um pouco em pisos escorregadios. A capacidade de imersão em locais alagados é de até 80 cm.

Talhada para o trabalho

A Ranger Sport cumpre bem a função de ser um veículo multitarefas. Apesar de sua veia utilitária, a picape tem interior agradável. O painel é ergonômico, os instrumentos têm leitura fácil, a visibilidade é boa (os grandes retrovisores ajudam) e o acabamento é correto, sem rebarbas plásticas ou peças mal-encaixadas. Os bancos acomodam bem o corpo, mas o do motorista não tem regulagem de altura, ausência que prejudica principalmente as pessoas mais baixas a encontrar a melhor posição para dirigir. Já o volante, que por sinal tem boa pegada, é ajustável em altura, mas não em profundidade. Outro deslize.

O espaço interno é amplo e mesmo pessoas mais altas não se sentirão espremidas. Atrás dos bancos, cabem apenas mochilas e pequenos volumes, algo perdoável em uma picape cabine simples. Afinal, a área destinada a carga está na caçamba, que é enorme: tem 1.800 l de volume e acomoda 1.455 kg de peso. Mas se a ideia for encher o compartimento, convém ao proprietário instalar um protetor de caçamba, que não vem de fábrica e é vendido à parte, como acessório.

Em movimento

O motor 2.5 16V da família Duratec flex, que mantém o superado tanquinho de partida a frio, rende 173/168 cv de potência e 24,8/24 kgfm de torque, com etanol e gasolina, na ordem, suficientes para empurrar bem os 1745 kg de massa da caminhonete. A Ranger Sport não é um foguete, mas responde bem em todas as faixas de rotação na cidade e consegue manter boa velocidade na estrada. O câmbio tem engates precisos e o nível de ruído, embora mais elevado que em automóveis, é aceitável em uma picape.

Para uma caminhonete, a estabilidade é até boa, sem tendência exagerada a sair de traseira em curvas. Isso se deve à calibragem mais rígida da suspensão, que como contrapartida faz a carroceria pular exageradamente em ondulações. A direção com assistência hidráulica, por sua vez, tem peso ideal em todas as situações, inclusive em manobras. O que atrapalha nesse último caso é a ausência de sensores de estacionamento, que fazem muita falta em um veículo com 5,35 m de comprimento.

O maior pecado da Ranger, porém, acabou sendo o alto consumo de combustível. Nas mãos do Carro&Cia, a picape fez médias de 5,4 km/l na estrada e 4,4 km/l na cidade, com etanol. Os números melhoram se o motorista utilizar gasolina, mas continuam exagerados: 8,1 km/l em rodovias e 6,8 km/l em circuito urbano. Com tanta sede, nem mesmo o enorme tanque de combustível de 80 l consegue dar boa autonomia ao modelo. Esse é, sem dúvida, o maior obstáculo para os donos de caminhonetes compactas que a Ford pretende atrair com a versão Sport.

Leia tudo sobre: FordRanger Sportpicape médiacabine simplesDuratecavaliação