Decisão em jogo único é alvo de críticas de jogadores

Final em melhor de cinco jogos é a melhor opção para alguns dos atletas que disputam a Superliga

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Experiente Douglas Cordeiro já fez decisões em melhor de cinco e três jogos
JOÃO PIRES - VIPCOMM
Experiente Douglas Cordeiro já fez decisões em melhor de cinco e três jogos

Há algumas temporadas, as finais da Superliga masculina e feminina acontecem em jogo único. Apesar de já estarem acostumados com o fato, boa parte dos jogadores não são a favor deste formato, que deixa a decisão ainda mais imprevisível.

Um confronto de grande equilíbrio é esperado para Sada Cruzeiro e Sesi-SP, no próximo domingo, às 10h, no ginásio do Mineirinho, em Belo Horizonte.

"Não consigo entender como uma competição de alto nível e longa como a Superliga ainda convive com isso. Não tem argumento que justifique, é inconcebível. Um time que fez uma campanha melhor pode se deparar com algum imprevisto e o título ir por água abaixo. O ideal seria melhor de cinco partidas", analisa o central Douglas Cordeiro, do Sada Cruzeiro, que está indo para sua sétima final de Campeonato Brasileiro.

As primeiras decisões em que jogou, quando ainda defendia o Minas Tênis Clube, aconteceram em melhor de cinco jogos ou até de três. "Independentemente dos anos em que fui ou não campeão, minha opinião sempre foi a mesma. É preciso que exista uma formato mais justo, em jogo único pode acontecer muita coisa. O trabalho de uma temporada inteira pode ser prejudicado se alguma coisa der errado", destaca.

A decisão em jogo único acontece por pedido da Rede Globo, emissora responsável por deter os direitos de transmissão do jogo. "Até tento entender o lado dela. Talvez mais patrocinadores possam ser atraídos com esse espírito de 'tudo ou nada' que o jogo único traz. Mas, mesmo assim, não justifica. É preciso pensar além e tentar beneficiar o esporte ao invés nos agrados da empresa. Em cinco partidas, eles teriam mais visibilidade", argumenta o jogador.

Mesmo a favor de uma mudança, Cordeiro não tem muitas esperanças de alteração neste formato. "Isso já existe há tantos anos que fica até difícil acreditar que teremos alguma novidade. Não podemos ficar à mercê de uma emissora de TV. Talvez o processo de mudança que a CBV esteja vivendo e as criações de associações de clubes e jogadores possam ajudar de alguma forma. Seria tudo em prol do vôlei", opina.

Jogadores do Minas também discordam da decisão

Até mesmo jogadores que não estão mais participando da Superliga são a favor de uma decisão em mais jogos. O oposto Filip, do Vivo-Minas, é um deles, e acredita que a final em jogo único aumenta a chance de imprevistos. "Se for um jogo entre um time mais forte e outro mais fraco, a chance de uma zebra é considerável. Não gosto deste formato, é melhor para um time de nível inferior que esteja na decisão. Se um time mais forte estiver em um dia ruim, poder perder, como aconteceu no ano passado, quando o Sada Cruzeiro era favorito e perdeu. Não é justo", coloca o jogador.

Seu companheiro de time, o central sérvio Bjelica também concorda. "O vôlei é um esporte tradicionalmente de playoffs. Sempre foi assim. Aí chega-se na final e tem uma coisa dessas. Se um jogador ou outro for mal, tudo pode ser perdido. Não está certo fazer isso por conta de marketing ou preferência de TV. Pode ser melhor para os patrocinadores e só", admite.