Troco nos peruanos tem que ser ‘na bola’, dizem celestes

Raposa precisa de goleada para avançar na Libertadores sem depender do outro jogo do grupo 5

iG Minas Gerais | Bruno Trindade |

Exemplo. Para Júlio Baptista, Cruzeiro tem que demonstrar superioridade e não utilizar os mesmos métodos que os peruanos
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Exemplo. Para Júlio Baptista, Cruzeiro tem que demonstrar superioridade e não utilizar os mesmos métodos que os peruanos

Como esquecer os insultos de cunho racista contra um companheiro de profissão? Como relevar condições precárias para se trabalhar, como campo e vestiário ruins? Como aturar sabotagens na luz do estádio, para que o Cruzeiro não fizesse o reconhecimento do gramado, além da falta de água no vestiário para os atletas celestes durante o intervalo, sendo que antes da partida não havia problema nenhum. E o que dizer das pichações para intimidar os jogadores estrelados?

O preconceito, a falta de respeito e o amadorismo do Real Garcilaso-PER para receber o futebol profissional da Raposa, no jogo em Huancayo, no Peru, criaram um clima de “guerra” e deixaram jogadores, comissão técnica e diretoria cruzeirenses revoltados. Entretanto, mesmo com os incidentes, a time estrelado conseguiu se reerguer e seguir firme na disputa continental. Já os peruanos, sem qualidade técnica e preocupados mais com as questões extracampo, acabaram eliminados de forma antecipada.

Agora, quase dois meses depois daquela série de atos deploráveis, que terminou com a vitória do clube peruano, por 2 a 1, Cruzeiro e Garcilaso voltam a se encontrar no Mineirão hoje, às 22h, pela última rodada da fase de classificação da Copa Libertadores da América.

Para não depender de nenhum outro resultado, o Cruzeiro, terceiro colocado do grupo 5, com sete pontos, precisa vencer por três gols de diferença para ficar com a vaga sem depender do resultado do outro jogo da chave. No mesmo horário, Defensor-URU, em primeiro, com dez pontos, e Universidad de Chile, na vice-liderança, com nove, também brigam pela classificação.

Mesmo com o passar do tempo, os jogadores da Raposa não se esqueceram de nada do que viveram naquele fatídico 12 de fevereiro. Porém, em vez de baixar o nível com atitudes grotescas, como fizeram os peruanos, o elenco cruzeirense quer transferir toda essa raiva para dentro do campo. “Todo sofrimento que vivemos lá, o tratamento que eles nos deram, de chegar pra treinar e apagarem a luz do estádio, toda essa raiva que passamos, temos que transportar para dentro do campo, transferir para o futebol, e não criar uma rivalidade que pode nos atrapalhar”, declarou o meia-atacante celeste Júlio Baptista.

Pelo contexto da partida no Chile e pela necessidade de vitória cruzeirense, o camisa 10 acredita que todos os atletas querem dar um algo a mais. “Será a força de cada um, o brio (em campo). Às vezes, não é só jogo em si. Amanhã (hoje), é mais do que isso. A gente vai pra cima com toda força, vamos com tudo”, concluiu.

Nova impressão

“Foi lamentável o que ocorreu no Peru. Isso é mais um motivo para entramos com gana, com mais vontade, até para tirar essa impressão ruim que ficou (após os atos de racismo contra o Tinga). É partir para cima para ganhar deles, e ganhar bem.”

Egído - Lateral do Cruzeiro

Números

12 de fevereiro data do preconceito e do amadorismo contra a Raposa

2 a 1 placar da vitória do Garcilaso sobre o Cruzeiro, no Peru

R$ 28 mil  valor da multa aplicada ao clube peruano pelo atos racistas

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