Venezuelanos tiram a roupa em ato contra a violência

Após jovem ser agredido na rua, país faz novo tipo de ato

iG Minas Gerais |

Atitude. Em meio a protestos contra o governo e contra a situação econômica do país, venezuelanos fazem manifestação pela paz
reprodução / Twitter
Atitude. Em meio a protestos contra o governo e contra a situação econômica do país, venezuelanos fazem manifestação pela paz

CARACAS, Venezuela. Na semana passada, um repórter venezuelano capturou a imagem de um jovem sendo despido por um grupo de encapuzados no prédio da Universidade Central da Venezuela (UCV). Um dia depois, usuários do Twitter aderiram a uma campanha espontânea e postaram fotos suas sem roupa, em protesto à violência das manifestações que tomaram conta do país, e já deixaram 39 mortos. O nome da campanha é “Mejor Desnudos Que” (Melhor Pelados Que, em tradução livre).

As primeiras fotos foram feitas na agência onde Ricardo Cie, 44, é vice-presidente da área de criação. “Na quinta-feira à noite, o vídeo (do estudante sendo despido) me marcou muito, e tive a ideia. Decidimos aproveitar a hashtag de um programa da CNN e associamos ao que criamos para divulgar as fotos”, contou o publicitário. A iniciativa foi adotada por diferentes grupos, que postaram fotos nus para mostrar sua rejeição à violência que ocorre no país.

Violência. Em entrevista publicada ontem pelo jornal “The Guardian”, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, negou estar “criminalizando a dissidência”. “Nós temos uma democracia aberta, mas se um político comete um crime, exige a queda de um governo legítimo e usa sua posição para bloquear as ruas e queimar universidades, os tribunais agem”, declarou.

Quando questionado sobre quanto da responsabilidade pelas mortes seu governo teria, Maduro respondeu que 95% das mortes são culpa de extremistas da Direita, usando o caso de três motociclistas que morreram ao colidir com um fio esticado na rua por manifestantes. Ele ainda disse que há uma comissão para investigar cada caso.

Maduro ainda acusou os Estados Unidos de usar os protestos como uma tentativa em “câmera lenta” para fazer um golpe contra seu governo no estilo ucraniano e “colocar suas mãos no petróleo venezuelano”.

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