Vargas tem que renunciar até hoje para se livrar de cassação

A partir da abertura do processo, o que deve ocorrer nesta tarde, não há como parar investigações

iG Minas Gerais |

Suspeitas. O deputado André Vargas é suspeito de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef
BREZIL_RODOLFO STUCKERT
Suspeitas. O deputado André Vargas é suspeito de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef

Brasília. Se pretende descartar qualquer possibilidade de cassação do mandato, o vice-presidente da Câmara, o deputado licenciado André Vargas (PT-PR), tem até as 14h de hoje para renunciar. O prazo apertado para a decisão do parlamentar acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef ficou definido quando o presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), marcou reunião para instaurar o processo e definir o relator do caso.

A partir da abertura do processo, não há como interromper as investigações, que serão concluídas em até 90 dias. Com o parecer, os parlamentares deverão analisar a decisão do colegiado em plenário e por voto aberto.

A escolha do relator será feita entre os 21 membros do Conselho. A função poderá ser assumida por qualquer dos parlamentares, desde que não sejam do PT, ou do PSDB, DEM e PPS, que apresentaram as representações.

Vargas pode ser investigado também pela Corregedoria da Câmara que recebeu, anteontem, uma representação encaminhada pelo PSOL. Caso opte pela investigação, o corregedor deputado Átila Lins (PSD-AM) pode notificar Vargas e outras testemunhas para apresentar esclarecimentos em cinco dias. Depois, Lins terá 45 dias para concluir o processo e encaminhar parecer para o Conselho de Ética.

Na segunda-feira, Vargas entregou à Secretaria Geral da Mesa da Câmara carta com pedido de afastamento temporário por 60 dias do mandato. Em nota, ele afirmou ser vítima de “massacre midiático” e disse ter pedido a licença para preparar sua defesa.

Renúncia. Para o presidente do Conselho de Ética, se as denúncias contra Vargas forem comprovadas, a tendência será a cassação. “Eu acho que se as denúncias que foram feitas pela imprensa, se forem comprovadas como verdade, a tendência de punição será a cassação”.

Izar afirmou que não descarta uma manobra regimental do PT para adiar a instauração do processo disciplinar contra Vargas. Ele afirmou ainda estar sofrendo pressão de integrantes do PT e de outros partidos para adiar a discussão para a próxima semana, o que ele afirma ter recusado.

O vice-líder do governo na Câmara, Henrique Fontana, defendeu ontem que Vargas renuncie. “Ele tem que entregar a vice-presidência, que é um posto na Câmara essencial ao PT, e neste momento ele não tem como atuar e não pode trancar isso”.

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Hipóteses. Só existem duas situações para o caso do deputado federal André Vargas (PT). Ou ele renuncia para ficar livre de cair na Lei da Ficha Limpa, ou pode perder os direitos políticos, caso seja condenado. Pressão. O presidente do Conselho de Ética afirmou estar sofrendo pressão de integrantes do PT e de outros partidos para adiar a discussão no Conselho, o que ele afirma ter negado.

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