As coisas vão e voltam

iG Minas Gerais |

O nível técnico dos estaduais e da Libertadores está muito fraco. No clássico mineiro, predominaram os pontapés e as cotoveladas. Vasco e Flamengo fizeram 61 faltas, com excessivas reclamações e tumultos. Muitos acham que clássico é assim mesmo. Isso empobrece nosso futebol. Há inúmeros jogadores que eram medianos, sumiram pelo mundo e voltaram como destaques. Dudu, do Grêmio, é um deles. Era do Cruzeiro. Eles melhoraram, ou está fácil brilhar nos times brasileiros? Mesmo assim, na média, nossas equipes são superiores aos rivais sul-americanos. Possuem estrutura profissional muito melhor, arrecadam mais, gastam mais e mandam a conta para o governo. Vem aí uma nova e absurda anistia aos clubes, disfarçada de reorganização da dívida. O Atlético já está gastando por conta, ao trazer Anelka, em fim de carreira, com 35 anos, para ganhar uma fortuna. Ele nunca passou de um bom jogador. Hoje, prefiro Jô. Hoje é dia de Liga dos Campeões da Europa. O Barcelona, com o fraco zagueiro Bartra e o esquisito goleiro Pinto, tem menos chances de se classificar, mesmo se o Atlético de Madrid não contar com Diego Costa. O conceito de que o Barcelona joga melhor com quatro armadores (Busquets, Xavi, Iniesta e Fábregas), o que obriga Neymar a atuar pela direita, era correto quando o time não tinha o jogador brasileiro. É preciso escalá-lo no lugar certo, pela esquerda. O Atlético de Madrid é o time que melhor marca o Barcelona. Na saída do goleiro, pressiona e toma a bola, com frequência. Quando não consegue desarmar, faz falta. Felipão usou a mesma tática contra a Espanha, na Copa das Confederações. Se o Barcelona consegue ficar com a bola, o time de Madri recua e forma duas linhas de quatro, próximas à grande área, com pouco espaço entre elas. Como o Barcelona raramente faz gols de fora da área e de bolas cruzadas, a equipe marcou pouquíssimos nos últimos confrontos entre eles. Hoje, as grandes equipes, quando perdem a bola e não conseguem pressionar, recuam e formam duas linhas de quatro. O Grêmio faz isso muito bem. Quando recuperam a bola, quase todos avançam. É o futebol moderno. A seleção brasileira de 1970, 44 anos atrás, fazia algo parecido. Era revolucionária para a época. Quando perdia a bola, formava uma linha de três no meio-campo, próxima dos zagueiros, com Gerson entre Clodoaldo e Rivellino. Muitas vezes, Jairzinho recuava pela direita e formava uma linha de quatro, como hoje. No segundo gol contra o Uruguai, Jairzinho desarmou próximo de sua área e foi receber a bola na intermediária do adversário. As coisas vão e voltam, com nomes diferentes e em outras situações. Freud dizia que todo encontro é um reencontro, com algo vivido e/ou imaginado.

Sem nervosismo O que me preocupa, hoje, contra o Real Garcilaso, é o nervosismo do Cruzeiro, muito presente no jogo contra o Defensor, no Mineirão. O time precisa jogar com garra, velocidade, mas sem afobação. O torcedor tem de colaborar. Precisa torcer, empurrar o time, mas sem cobrar pressa para chegar aos gols. Será que Ronaldinho joga amanhã? As fofocas, rumores e boatos de que ele relaxou, após ter certeza de que não estará na Copa, cresceram na cidade. Já escutei que Ronaldinho pretende, brevemente, atuar em um centro menor, apenas para dar show. Com sua habilidade, malabarismo e efeitos especiais, pode ficar uns dois anos fazendo isso. Mas ainda não está na hora. Ele tem plenas condições de ser destaque no Atlético nos próximos anos. Basta querer.

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