Jovem que luta contra a leucemia espera encontrar doador compatível

Adolescente, de 16 anos, precisa de um transplante de medula óssea e aguarda o resultado de exames que podem encerrar a procurar por um doador

iG Minas Gerais | Bruna Carmona |

Brasil - Belo Horizonte, Mg. Dia Mundial de Combate ao Cancer. Na foto: Jeferson Marcos Campos de Souza (16), que luta contra o cancer e esta na expectativa de conseguir um doador universal. Fotos: Leo Fontes / O Tempo - 8.4.14
LEO FONTES / O TEMPO
Brasil - Belo Horizonte, Mg. Dia Mundial de Combate ao Cancer. Na foto: Jeferson Marcos Campos de Souza (16), que luta contra o cancer e esta na expectativa de conseguir um doador universal. Fotos: Leo Fontes / O Tempo - 8.4.14

A esperança e a vontade de continuar lutando pela vida são o combustível do estudante Jefferson Campos Souza, de 16 anos. Há cinco anos ele luta contra a leucemia e, agora, aguarda o resultado de um exame que pode mudar sua vida: a confirmação de ter encontrado um doador compatível. A mãe do adolescente, a professora Eliana Aparecida de Campos Souza, de 45 anos, conta que a ansiedade é grande. "A expectativa é enorme. Ele também está um pouco ansioso com essa expectativa de voltar a viver de novo", diz.

A família descobriu a doença em 2009, quando o Jefferson estava prestes a completar 12 anos. A notícia, segundo Eliana, veio logo depois que o marido tinha acabado de se curar de um câncer nos ossos. "Foi um baque", conta a professora. Na época, Jefferson começou a se sentir mal e a ficar com a pele amarelada. "Ele começou a sentir umas tonturas. Nós levamos ao médico, que pediu exames e viu que a hemoglobina estava baixa", diz.

O tratamento foi iniciado imediatamente, na Santa Casa de Belo Horizonte. Foram várias sessões de quimioterapia e radioterapia, que terminaram em dezembro de 2012, quando o adolescente passou a fazer apenas acompanhamento. Oito meses depois, a doença voltou e Jefferson teve que retomar a quimioterapia. Novos exames apontaram que ele tem uma alteração conhecida como Cromossomo Filadélfia e que, por isso, depende de um transplante para se curar.

As primeiras tentativas de encontrar um doador compatível foram feitas com membros da família, mas sem sucesso. "Depois disso, nós partimos para o banco de doadores", diz a mãe do adolescente. A professora refere-se ao Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), instalado no Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), que reúne possíveis doadores voluntários desde 1998. Pessoas que tenham entre 18 e 54 anos podem integrar o cadastro, que é realizado nos hemocentros em todo o Brasil. Neles, são coletados 10 ml de sangue para que seja feita a tipagem, isto é, o mapeamento de características genéticas importantes para seleção de um doador.

Quando surge um novo paciente no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme), que reúne pessoas que precisam da doação de medula óssea, a compatibilidade com os cadastrados do Redome é verificada. Se doador e paciente concordarem, são realizados exames e, em caso de resultado positivo, é feito o transplante. O banco de doadores reúne voluntários de todo o Brasil e também de outros países. No ano passado, o Hemominas recebeu 31.594 cadastros em todas as suas unidades.

No caso de Jefferson, um possível doador foi encontrado fora do Brasil, em outubro do ano passado e, desde então, estão sendo feitos exames para verificar a compatibilidade com o paciente. No Dia Mundial de Combate ao Câncer, comemorado no dia 8 de abril, a mãe do adolescente reforça a importância de fazer o cadastro. "É uma demonstração de amor pelo próximo. É importante que as pessoas saibam que a cura para a leucemia pode ser doada por nós", diz.

Mais cadastros

A Fundação Sara Albuquerque Costa realizou nesta terça-feira (8), em parceria com o Hemominas, uma blitz para incentivar cadastros de doadores de medula óssea. Durante a ação, que aconteceu entre 8h e 17h, o número cadastros foi seis vezes maior do que o normal e chegou a 60 voluntários. A média diária em 2014, segundo o Hemominas, é de 25 cadastros diários no hemocentro de Belo Horizonte. Para fazer parte do banco, é preciso ter entre 18 e 54 anos e nunca ter feito quimioterapia.

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