Governo venezuelano aceita se reunir com oposição

"Hoje à tarde esperamos que já possa ocorrer essa reunião preparatória e que isso permita estabelecer um acordo", afirmou um chanceler

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O governo venezuelano e a coalizão de oposição planejam realizar uma primeira reunião exploratória para definir um possível processo de diálogo, anunciou terça-feira (8) o chanceler do Equador Ricardo Patiño. "Hoje à tarde esperamos que já possa ocorrer essa reunião preparatória e que isso permita estabelecer um acordo", afirmou Patiño a repórteres, ao explicar que essa primeira reunião servirá para possibilitar que as partes definam "os itens da agenda e a metodologia pela qual irão desenvolver as conversas". Ministros das Relações Exteriores sul-americanos estão em Caracas apoiando as tentativas de aproximação entre as partes.

"Nós aceitamos a proposta dos ministros de fazer uma reunião preparatória para acordar as condições para uma reunião pública de diálogo, com data e hora a serem acordadas", disse Ramon Guillermo Aveledo, secretário-executivo do bloco de oposição Mesa da Unidade Democrática, em comunicado divulgado para confirmar a participação no encontro. O chanceler equatoriano indicou que, neste primeiro encontro, poderão estar presentes o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e outros chanceleres sul-americanos que estão no país.

Sobre os pontos em que há concordância, Patiño destacou que o governo e a oposição apoiam que "esses diálogos sejam públicos", que "haja testemunhos de boa fé" e que se organize uma "agenda de maneira conjunta". Os chanceleres de Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Uruguai, Equador e Suriname iniciaram na véspera uma série de reuniões com o governo e a Mesa da Unidade Democrática para a ajudar a conciliar entre as partes condições mínimas para um encontro e uma agenda de discussões.

Desde que a crise começou, em fevereiro, Maduro insiste em dialogar com adversários, mas ao mesmo tempo os acusa de tentar promover um golpe de Estado. A oposição, por sua vez, se nega a conversar, alegando que não há condições para isso devido à "forte repressão" a protestos de rua e aos processos judiciais e detenções de manifestantes e líderes opositores.

Pelo menos 39 pessoas morreram e 608 ficaram feridas até o momento em episódios de violência em protestos pelo país. 

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