Operação combate quadrilha de "empresários" que sonegou R$ 50 milhões

Quadrilha montava empresas que sonegavam impostos e, quando eram descobertos pela receita, fechavam a companhia e abriam uma nova em nome de laranjas ou com CPF's falsos

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

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Dois "empresários" mineiros do ramo alimentício foram presos e outros dois são considerados foragidos da justiça depois da operação Ampla, deflagrada na manhã desta terça-feira (8), em uma ação conjunta entre o Ministério Público (MP), a Polícia Civil (PC), Polícia Militar (PM) e a Receita Estadual. A operação visa combater a sonegação de impostos, principalmente em empresas de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, mais precisamente nas proximidades da Ceasa. 

Conforme as informações do promotor de Contagem Fábio Nazareth, ã operação teve início em 2011. "Durante estes três anos de investigação, acreditamos que eles tenham uma dívida de R$ 50 milhões com os cofres públicos, entre impostos, juros e multas", explicou o promotor. 

A operação cumpriu quatro mandados de prisão e dez de busca e apreensão. Denis Rossini Ferreira foi preso na noite de segunda-feira (7), em uma rua de Contagem. Já Argos Cardoso Mundinho foi detido na manhã desta terça, no bairro Santa Lúcia, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. 

Entre os dois foragidos da justiça, está o irmão de Mundinho, Luiz Cláudio Cardoso Rodrigues. O outro procurado é Antônio Aparecido Alves. Ainda segundo a promotoria, o esquema deles funcionava da seguinte maneira: eles abriam empresas e sonegavam impostos até que a receita descobrisse; eles fechavam a empresa e abriam uma nova, no nome de laranjas ou com CPF's falsos. 

"Um dos foragidos, o Luiz, tem quatro CPF's no nome dele. Todos eles são ligados, se conheciam, eram uma quadrilha mesmo", defende o promotor Nazareth. Nove dos mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Minas e um deles no Rio de Janeiro. Foram apreendidos pacotes com documentos das empresas e computadores.  

Segmento

As empresas abertas pelo grupo atuavam no segmento de cereais, principalmente feijão, embalando e distribuindo. Além das empresas que eram abertas de forma ilegal, eles também emitiam notas fiscais falsas e simulavam transações com empresas no Distrito Federal, sendo que só vendiam em Minas, aumentando os valores sonegados. 

"O que eles faziam acabava gerando a aniquilação dos concorrentes, uma vez que eles não pagavam impostos. Sem falar no enorme prejuízo aos cofres públicos", informou o promotor. Agora, o objetivo é que bens adquiridos com o dinheiro sonegado sejam reavidos pelo Estado. 

Os dois empresários que já foram presos estão no Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) da Gameleira, onde devem ficar por cinco dias, sendo que a prisão pode ser estendida por mais cinco dias. Apesar disso, a promotoria deve entrar com o pedido de conversão da prisão temporária em preventiva, que manteria os investigados detidos até o fim do inquérito.

 

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