Tradição diz que nada fica de fora da consciência universal

iG Minas Gerais |

A tradição conhecida como Sivaísmo da Caxemira ensina que a consciência humana é como uma contração (samkoca) da consciência universal. “As duas são essencialmente a mesma. Algo como uma luz que é matriz única de várias outras luzes. A consciência de cada indivíduo é um brilho proveniente dessa luz única matricial. A palavra contração expressa a ideia de que são essencialmente as mesmas. Ainda que a luz individual seja uma expressão reduzida da universal, tudo que existe em uma está presente na outra também”, explica o especialista João Carlos Gonçalves.

Segundo o pensamento dessa tradição, “nada fica de fora da consciência universal”. “Tudo o que existe, material e imaterial, está permeado por ela. Somos, dessa forma, essa consciência. Em outras palavras, o objetivo é nos livrar da nossa percepção fragmentada e produzir um estado cognitivo em que sejamos capazes de nos ver em todo o universo e ver todo o universo em nós”, ressalta o professor.

Morte. O tantrismo não se foca particularmente na experiência da pós-morte, mas pode-se dizer que basicamente há várias formas de morrer.

“Ao longo da vida, podemos nos identificar com aspectos extremamente mesquinhos e pequenos das nossas experiências ou podemos também nos identificar com aspectos do nosso ser que sejam de um âmbito mais profundo e permanente, e muitas nuances entre esses dois polos. É muito importante o que se viu e ao que se aderiu ao longo de toda a vida, isso diz muito sobre o que se perde e o que se ganha com a morte”, diz.

Para ele, essa tradição é tão integradora “que nos ensina que há um fluxo único de consciência, em que não há tanto contraste entre vida física e vida pós-morte, tudo é uma única existência. Assim como, durante a vida física, experimentamos as fases infantil, madura e idosa, sem enfatizar tanto as transições, pode ser assim com nossa existência em escala cronológica mais ampla: sentimos a permanência da consciência e não os cortes das suas várias formas de manifestação”. (AED)

 

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