Realidade virtual traz universo alternativo para sua vida real

Óculos Rift VR vendeu 60 mil unidades, e Sony já trabalha em projeto para PlayStation 4

iG Minas Gerais | Chris Suellentrop |

Experimentando. Berk Huelague testa jogo em realidade virtual usando o Oculus Rift na Conferência de Desenvolvedores de Jogos
JASON HENRY
Experimentando. Berk Huelague testa jogo em realidade virtual usando o Oculus Rift na Conferência de Desenvolvedores de Jogos

São Francisco, EUA. O conceito de realidade virtual encanta, desde os anos 80, quando o romance “Neuromancer”, de William Gibson, e o holodeck da série “Jornada nas Estrelas: A Próxima Geração” popularizaram a ideia de transportar pessoas a um ambiente tridimensional computadorizado. Mas, até recentemente, isso tudo não passava de ficção científica.

Contudo, depois de testar uma série de protótipos e kits de desenvolvimento na Conferência de Desenvolvedores de Jogos, posso garantir que a realidade virtual funciona. A falta de tecnologia não é mais problema. A questão que precisa ser respondida é o que os desenvolvedores de jogos, artistas e cineastas devem fazer com ela.

As versões voltadas para o consumidor final ainda não devem chegar ao mercado este ano. Mas, por US$ 350, os desenvolvedores de jogos já podem encomendar a versão mais recente do Oculus Rift, um aparelho que está sendo desenvolvido para computadores pessoais e conta com o apoio de alguns dos maiores nomes da indústria do videogame. A fabricante foi comprada recentemente pelo Facebook e os kits de desenvolvimento devem começar a ser despachados em julho.

“Não se trata apenas de um acessório para desenvolvedores de jogos”, afirmou Danfung Dennis, fotojornalista que dirigiu o documentário “Hell and Back Again” sobre a guerra do Afeganistão, indicado ao Oscar, e que visitou a conferência para mostrar um novo documentário feito para ser assistido com o Rift. “Esse é um novo meio de contar histórias”.

Ainda assim, descobrir a linguagem virtual correta para os jogos, filmes e outras obras de ficção na realidade virtual “provavelmente vai ser mais difícil do que o desenvolvimento da própria tecnologia”, afirmou Dennis. Os cortes, por exemplo, são desorientadores.

Entenda. O Rift é basicamente uma tela de TV colocada em frente aos olhos do usuário, que usa um óculos de esqui pintado de preto. Em vez de manipular a câmera no mundo virtual com um controle remoto, como você faria com um videogame normal, você observa o ambiente ao virar o pescoço e a cabeça, assim como faria na vida real. Usar o Rift faz você parecer ridículo para quem vê de fora, mas também dá a sensação de ter sido teletransportado para um universo alternativo.

O Oculus VR vendeu 60 mil unidades de seu primeiro kit de desenvolvimento. Neste ano, depois de introduzir um protótipo com muitas melhorias, o Oculus passou a enfrentar sua primeira concorrência, especialmente a partir do Projeto Morpheus, desenvolvido pela Sony para o PlayStation 4.

O aparelho da Sony ainda não chegou às lojas, embora a empresa o esteja fornecendo a desenvolvedores. A Microsoft, que ainda irá revelar sua versão da tecnologia para o Xbox ou para computadores com Windows, parece convencida de que a realidade virtual chegará em breve. “Precisamos saber se ela vai dominar o mercado, ou se será uma solução para certos cenários”, afirmou Phil Spencer, vice-presidente corporativo da Microsoft Game Studios.

E esse é o verdadeiro mistério: quais jogos e experiências serão mais atraentes na realidade virtual? Uma das primeiras coisas que as pessoas descobrem é que os jogos acelerados podem deixá-las enjoadas.

Alguns dos produtos mais parecidos com esses óculos são os controles de movimento para videogames, que pareciam mágica quando foram vistos pela primeira vez com o Nintendo Wii, ou o Kinect, da Microsoft. Porém, anos mais tarde os jogos controlados por videogames continuam a ser experiências rasas que imitam atividades do mundo real, como dançar ou jogar boliche, e são mais divertidos quando não são jogados por muito tempo.

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