Maracanã 50 x Itaquerão 14

iG Minas Gerais |

+Qual será o símbolo da Copa de 2014, a imagem, a cena, o gesto que ficará para os compêndios da história do esporte? Claro que vai depender do que rolar nos jogos. Mas já podemos levantar candidatos. O símbolo será o craque do mundial, sendo os pré-indicados Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo? Ou será o simpático Fuleco? Do lado crítico da moeda, poderão vir das ruas as cenas históricas se o pau quebrar de novo. Entretanto, há que se levantar outro candidatíssimo: o Itaquerão. A Arena Corinthians tem todos os elementos para se tornar o marco e a marca da Copa da Fifa, a exemplo do que foi o Maracanã em 1950. O Mário Filho, na região central do Rio, guarda diversas coincidências com o estádio da zona Leste de São Paulo. E, no sentido épico da história, a casa paulistana já começa perdendo, pois não receberá a final e, portanto, não será palco de um possível hexa ou, do contrário, de um novo maracanaço. É surreal confiar a um lote baldio o cenário de abertura de uma Copa, fato que liga um estádio ao outro. Pois na primeira quinzena de junho de 1950, temia-se que o Maracanã não ficasse pronto a tempo do pontapé inicial, marcado para 24 daquele mês. Deu tempo, mas a edificação foi entregue com andaimes nas arquibancadas para o jogo inaugural, um amistoso. Na abertura do mundial, em que o Brasil bateu o México por 4 a 0, as vigas de apoio foram retiradas, mas a sujeira era muita e os tijolos espalhados serviram de base para os torcedores que ficaram de pé. O Brasil foi o único candidato para sediar a primeira Copa do pós-guerra, e a confirmação viera em julho de 1946. Contudo, as obras do estádio que receberia o primeiro jogo só começaram dois anos depois. Antes, houve briga política sobre a localização – teve quem defendesse a construção em Jacarepaguá –, o projeto e o orçamento. No total, foram empregados 3.500 operários, aos quais se juntou mão de obra do Exército, recrutada para que o cronograma fosse cumprido. O Maracanã levou 675 dias para ficar pronto como ficou, mas o acabamento completo só seria concluído no distante 1965. Já o Itaquerão, mesmo se for inaugurado neste mês, terá levado mais de mil dias em obras. Para lá, é prevista a partida inaugural entre Brasil e Croácia, em 13 de junho. O tempero político também marca a concepção da futura sede do Corinthians, que fez uma triangulação amistosa com Lula e a Caixa, todos em casa. Outra diferença fundamental é que não há registros oficiais de mortes de trabalhadores no Mário Filho. “Temos atrasos neste momento, mas esses atrasos são causados pela inatividade dos brasileiros”. Talvez o “chairman” Joseph Blatter tenha alguma razão, e percebe-se que não é coisa deste século. Mas a Fifa, com seus prazos e padrões, deve reconhecer que não se comporta mais com as condições de boa parte do mundo. Adendo. Se a Minas Arena deu prejuízo no ano em que o Mineirão foi sede da final da Libertadores com o Atlético, recebeu os jogos do Cruzeiro campeão brasileiro e serviu de palco de um show do Paul McCartney, só vai lucrar na próxima passagem do cometa Halley sobre a Terra.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave