Malásia e Indonésia proíbem exibição do filme 'Noé'

No país muçulmano mais populoso do mundo, o presidente do conselho censor da Indonésia, Muchlis Paeni, disse que o enredo do filme contradiz tanto o Alcorão como a Bíblia

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Atormentado. Crowe tem uma de suas melhores atuações como um Noé consumido pelo peso de sua missão
Paramount
Atormentado. Crowe tem uma de suas melhores atuações como um Noé consumido pelo peso de sua missão

A Malásia e a Indonésia proibiram a exibição épico norte-americano Noé, que retrata a vida do profeta que construiu uma arca para salvar a humanidade, juntando-se a outras nações muçulmanas que baniram o filme.

As autoridades de censura dos dois países informaram que a exibição do filme estrelado por Russel Crowe e dirigido por Darren Aronofsky é contra as leis islâmicas. Representações de qualquer profeta do Islã são evitadas para evitar a adoração de uma pessoa em vez de Alá.

"A exibição do filme Noé não é permitida no país para proteger a sensibilidade e a harmonia na comunidade multirracial e multirreligiosa da Malásia", escreveu o presidente do Conselho de Censura Cinematográfica, Abdul Hamid, em um comunicado.

Malaios muçulmanos constituem 60% dos 30 milhões de habitantes da Malásia, enquanto os cristãos são cerca de 9%.

No país muçulmano mais populoso do mundo, o presidente do conselho censor da Indonésia, Muchlis Paeni, disse que o enredo do filme contradiz tanto o Alcorão como a Bíblia. "Temos de rejeitar que Noé seja exibido aqui. Nós não queremos um filme que poderia provocar controvérsias e reações negativas", disse Paeni.

O conselho indonésio Ulama, órgão islâmico mais influente do país, saudou a iniciativa dizendo que filmes que possam corromper os ensinamentos religiosos devem ser banidos. Por outro lado, intelectuais criticaram as autoridades.

"A decisão foi muito lamentável, muito triste", escreveu o cineasta Joko Anwar em sua conta no Twitter.

Grande parte dos países muçulmanos, incluindo os Emirados Árabes o Qatar e o Bahrein já proibiram o filme, que é um sucesso de bilheteria nos Estados Unidos. A Paramount Pictures, estúdio responsável pela produção, adicionou um aviso em seus materiais de propaganda dizendo que "utilizou-se de licença artística" para contar a história. 

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