As urnas e o que escondem

iG Minas Gerais |

A solenidade de posse do governador Alberto Pinto Coelho, na última sexta-feira, no Palácio da Liberdade, firmou pelo menos duas marcas importantes. A primeira, inegável, é que o ex-governador Antonio Anastasia conseguiu construir uma reputação de administrador sério e atuante, na dimensão de que governar é respeitar prioridades, planejar e gerir, sem os percalços da desmedida interferência do interesse político. Anastasia impôs esse formato a sua jornada de governador, com raríssimas exceções que, quando pontualmente aconteceram, foram motivadas pelo jogo criado pelos varejistas de plantão presentes em quaisquer governos. Extirpá-los é tarefa quase impossível. Há na atividade política grupos que só se nutrem de expedientes menores, em constante perde e ganha, e sobre eles é a constatação que “de onde menos se espera é que não acontece nada mesmo”. Só o infortúnio. É um vinco difícil de ser desfeito. O ex-governador Antonio Anastasia deverá ser candidato ao Senado e, se o for, certamente será eleito, levando consigo credenciais que requalificam aquela Casa. A outra marca é a do prestígio do empossado, o governador Alberto Pinto Coelho, que ocupará a chefia do governo de Minas por nove meses. No evento de sua posse, estavam presentes representações de todo Estado, aplicadas em realçar a capacidade de liderança do novo governador, fruto de seu espírito conciliador, da sua passagem pela Assembleia Legislativa e na sua forte presença sempre que chamado para os momentos da construção política. Alberto Pinto Coelho é o mineiro genuíno. Político tarimbado, sempre vencedor nas suas disputas ao longo da carreira que construiu, terá uma gestação para provar que seu nome poderia ter sido melhor avaliado se o encaminhassem à disputa pelo governo nas próximas eleições. O ex-prefeito Pimenta da Veiga, vivendo nos últimos anos em Brasília e, portanto, afastado do cotidiano mineiro, ainda não sinalizou com suas bandeiras para tentar ganhar a eleição e governar o Estado, não lhe possibilitando ainda reunir o vigor que se fará necessário para enfrentar o ex-ministro Fernando Pimentel em outubro. Prova disso é que o senador Aécio Neves reuniu-se na semana passada com o prefeito da capital, Marcio Lacerda, para ouvir do mesmo se sua desincompatibilização da Prefeitura de Belo Horizonte, para disputa do governo nas próximas eleições, seria factível. Ouviu que não. Pimentel é o nome mais ligado politicamente à presidente Dilma Rousseff, que postulando sua reeleição deve centrar em Minas a artilharia organizada para fragilizar a candidatura tucana à Presidência. Especialistas anteveem uma dedicação especial da campanha do PT nacional a Minas, fazendo com que o Estado possa lucrar com a disputa. Estamos na nascente e o passar dos dias fará aumentar o volume da água que vai passar debaixo da ponte.

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