Despedida reúne centenas

Sob aplausos da classe artística e de fãs, corpo do ator foi levado para o crematório, após velório em teatro do Rio

iG Minas Gerais |


As atrizes Renata Sorrah, Suzana Vieira e Natália do Vale, no velório
marcelo Sá Barreto/Agnews
As atrizes Renata Sorrah, Suzana Vieira e Natália do Vale, no velório

Rio de Janeiro. Sob uma salva de palmas, o corpo do ator José Wilker, morto aos 67 anos vítima de um infarto enquanto dormia, foi levado do Teatro Ipanema para o Memorial do Carmo, no Caju, zona Portuária do Rio, para ser cremado em um evento fechado, reservado apenas para os familiares.

Antes, um grande número de artistas, parentes e fãs compareceram ao Teatro Ipanema para se despedir de Wilker. O velório iniciou-se na noite de sábado, mas o movimento já era intenso na rua do teatro quatro horas antes. Por volta do meio dia de ontem, o acesso aos fãs e jornalistas chegou a ser suspenso, dado o excesso de pessoas que acompanhavam as últimas homenagens a Wilker.

A entrada foi retomada no meio tarde, mas em ritmo bem menos intenso. As filhas Isabel e Mariana, e as respectivas mães, Mônica Torres e Renée de Vielmond, além da namorada Cláudia Montenegro, acompanham a vigília.

Adeus no palco. O local escolhido para o velório foi o palco onde Wilker consolidou sua carreira no teatro, no Rio, onde estreou fazendo uma substituição em “O Assalto”, de José Vicente, em 1969, a primeira peça ali encenada. Ainda no mesmo endereço, atuou em “O Arquiteto e o Imperador da Assíria”, que lhe rendeu o primeiro prêmio Molière, “Hoje é Dia de Rock” (1971), “A China é Azul” (1972) e “Ensaio Selvagem” (1974).

A última vez que Wilker foi visto em público foi na sexta-feira à noite, em um restaurante no Leblon, onde jantava com Cláudia. Em seguida, ele foi para a casa dela, onde dormiu. No sábado pela manhã, ao perceber que ele não respirava, Cláudia chegou a chamar médicos para socorrê-lo, mas eles constataram sua morte.

Elogios póstumos. “Perdemos um homem extraordinário, um ator de televisão, teatro e cinema. Um colega muito querido. Sentiremos muita falta”, lamentou a atriz Malu Mader.

Para o ator Felipe Camargo, Wilker era o ‘Jack Nicholson’ brasileiro. “Ele sempre foi uma referência muito forte pra mim. Era o nosso Jack Nicholson. Falei com ele há três semanas e estava do mesmo jeito de sempre, ele estava ótimo”.

“Ele foi cedo demais, em pleno voo. Mas, não poderia ser diferente... não poderia ser uma morte anunciada”, disse Stepan Nercessian. Para o ator, a morte do amigo foi tão surpreendente quanto a forma como ele viveu. “Estreamos juntos na TV, em ‘Bandeira 2’. Comemorei meus 18 anos com ele. Foi uma amizade intensa. O Wilker não parava de pensar e quis ser o protagonista da vida dele. Criava muito e não se contentava em ser somente ator”, disse Nercessian.

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