As (belas) armas das galerias

Garotas bonitas e bem relacionadas atraem colecionadores de arte nas feiras do gênero, como na SP-Arte

iG Minas Gerais |

Diferencial. Mesmo acreditando ser uma injustiça, Olivia Tabet sabe que a beleza é um diferencial na área
Harpers Bazaar
Diferencial. Mesmo acreditando ser uma injustiça, Olivia Tabet sabe que a beleza é um diferencial na área

São Paulo. Elas são lindas, bem nascidas e bem vestidas. E estão sempre firmes no salto diante das obras mais cobiçadas nas galerias, como bibelôs bem lustrados para atrair o olhar dos colecionadores. Em tempos de mercado de arte cada vez mais agressivo, a figura das “galerinas”, como são conhecidas no jargão do mundinho essas belas garotas que ajudam a vender obras, virou um item obrigatório no acervo de qualquer galeria de arte no mundo.

Nos corredores da SP-Arte, a feira que fechou as portas ontem depois de arrastar boa parte do “jet-set” do mercado ao parque Ibirapuera, algumas delas chegavam a ofuscar as obras mais espalhafatosas. “É injusto, mas não tem jeito. Ser bonita faz diferença”, dizia Olivia Tabet, sentada diante de duas colagens enormes no estande da Logo. “Não quero competir com as obras, mas procuro estar de acordo com elas. Gosto de usar uma roupa mais delicada com obras delicadas ou algo mais agressivo quando o trabalho é mais pesado”.

Moda à parte, Tabet estudou artes visuais e gestão de negócios no mercado de luxo. Qualquer “galerina” costuma ter no currículo uma boa formação, falar várias línguas – no caso dela, francês e inglês – e contar com uma rede extensa de contatos na alta sociedade, em geral algo que vem de berço. “Não sou só a loirinha sentada aqui”, explica Tabet, que é filha de colecionadores “Temos de ser profissionais, senão você não cria uma ligação real com o cliente. Se atendo um colecionador que conhece a minha família, ele não me vê como vendedora oportunista. Faz toda a diferença ele saber que você vem do mesmo lugar que ele”.

Nada diz isso melhor do que um contato mais próximo. “Gosto de usar salto alto para ficar olho no olho com os colecionadores”, diz Julia Brito, filha da galerista Luciana Brito e presença garantida em quase todas as feiras. “Sacrifico o meu pé, mas é tudo pela imagem da galeria”. Além do salto padrão, Brito, que estudou gestão de negócios da moda, costuma usar as feiras como vitrine para joias e roupas desenhadas por estilistas amigos. “Tudo é estética, é visual, é ótico”.

Mas manter as aparências requer estoques infinitos de energia. “Criar um estilo mais conceitual tem de vir da pessoa mesmo, mas não é só isso”, diz Mariana Zemel, da galeria britânica Hus. “É saber se relacionar além da feira, e é preciso estar em todos os jantares e todas as festas”.

Sedução arriscada. Isso porque é muitas vezes no fervo dos coquetéis que alguns negócios são iniciados, embora sejam os donos das galerias, muitos deles homens mais velhos, que acabam fechando as vendas. “Esse é um meio machista”, diz a argentina Florencia Braun, dona da galeria Rolf, nome que é nada mais que seu apelido Flor escrito ao contrário. “Às vezes, perguntam quem é o senhor Rolf e pedem para falar com ele. Mas ser mulher abre outras portas. Você usa a sedução”. Ou não. Seduzir, mesmo que seja sem querer, pode pôr em risco uma transação. “Se você é mulher e bonita, os homens preferem lidar com outros homens, porque suas mulheres têm ciúmes da gente”, diz Roberta Okura, que trabalhava no estande da galeria norte-americana Christopher Grimes.

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